Oliveiras centenárias chamam atenção em Rio Branco e reacendem alerta sobre mercado milionário

Árvores avaliadas em até R$ 250 mil circulam pelo país e levantam debate após denúncias de contrabando

A presença de oliveiras centenárias transportadas em um caminhão pelas ruas de Rio Branco, neste domingo (11), chamou a atenção de moradores e despertou questionamentos sobre a origem e o destino das árvores. A movimentação ocorre em meio a denúncias nacionais já investigadas pelas autoridades sobre o contrabando de oliveiras antigas, um mercado milionário que vem sendo monitorado em diferentes regiões do país.

Oliveiras centenárias quando importadas de forma legal, podem chegar a R$ 250 mil por unidade/ Foto: ContilNet

De forma investigativa, a reportagem conversou com o responsável pelo transporte, que explicou que atua legalmente no comércio de oliveiras ornamentais e percorre diversas regiões do Brasil. Segundo ele, não há qualquer irregularidade na carga observada na capital acreana, e as árvores vistas são todas de origem nacional, cultivadas no interior de São Paulo.

De acordo com o comerciante, oliveiras com cerca de 70 anos podem custar aproximadamente R$ 22 mil a unidade. Já exemplares mais jovens, com 10 anos, são vendidos por valores em torno de R$ 2.500. As árvores, segundo ele, são entregues já plantadas, com nota fiscal, garantia e transporte especializado, atendendo clientes em diferentes estados do Brasil.

O responsável também destacou que oliveiras realmente centenárias, com cerca de 200 anos, geralmente não são nacionais. Essas, quando importadas de forma legal, podem chegar a R$ 250 mil por unidade.

Mercado de luxo e risco ambiental

O tema ganhou repercussão nacional após reportagem exibida pelo Domingo Espetacular, da TV Record, revelar um esquema de contrabando de oliveiras centenárias na fronteira entre Brasil e Argentina. Segundo a investigação, árvores retiradas de antigas áreas produtoras de azeitona passaram a ser comercializadas ilegalmente para ornamentar jardins de mansões e propriedades de alto padrão em outros estados do país.

As autoridades alertam que a entrada irregular dessas árvores representa risco ambiental, já que raízes e troncos podem carregar pragas, fungos e bactérias capazes de afetar culturas importantes no Brasil, como café, citros e uvas. Por isso, a importação legal exige autorização do Ministério da Agricultura, inspeções sanitárias e análises laboratoriais.

Somente no último ano, a Polícia Federal apreendeu dezenas de oliveiras centenárias trazidas ilegalmente ao país em operações realizadas fora do Acre. Em alguns casos, os motoristas afirmaram desconhecer a ilegalidade da carga, mas acabaram presos por contrabando.

Circulação no Acre chama atenção

Embora o responsável ouvido pela reportagem afirme atuar dentro da legalidade e não exista qualquer investigação relacionada ao transporte registrado em Rio Branco, a circulação dessas árvores na capital acreana evidencia como o mercado de oliveiras ornamentais se expandiu pelo país, inclusive alcançando regiões distantes dos grandes centros.

Especialistas apontam que o fascínio por oliveiras está ligado ao simbolismo da planta, associada à longevidade, sabedoria e prosperidade, além do status social que passou a representar. Em projetos paisagísticos de alto padrão, uma única árvore pode custar mais do que um carro de luxo.

Diante do crescimento desse mercado e das denúncias de práticas ilegais registradas em outras regiões do Brasil, o tema segue no radar das autoridades ambientais e reforça a necessidade de fiscalização rigorosa para proteger a flora brasileira e evitar crimes ambientais disfarçados de luxo.

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