Novo governo da Venezuela começa a dar sinalizações positivas aos EUA

Menos de uma semana após a queda de Maduro, novo governo da Venezuela já dá sinais de cooperação com os EUA

Poucos dias após a queda de Nicolás Maduro, o novo governo da Venezuela, liderado por Delcy Rodríguez, já começa a dar sinalizações positivas aos Estados Unidos. Entre elas, negociações sobre o petróleo venezuelano, mudanças comerciais e acenos relacionados aos direitos humanos no país.

  • O governo de Nicolás Maduro chegou ao fim em 3 de janeiro, quando o presidente da Venezuela foi capturado pelos EUA após ficar mais de 12 anos no poder.
  • A queda do líder chavista foi precedida de um cerco militar norte-americano na América Latina e Caribe, sob o pretexto de combater o tráfico de drogas na região.
  • Para justificar o ataque contra a Venezuela, e a remoção forçada de Maduro do país, Washington passou a acusar o presidente chavista de chefiar o cartel de drogas Los Soles.
  • Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram enviados para os EUA. Lá, serão julgados por acusações relacionadas ao tráfico de drogas — das quais o Departamento de Justiça dos EUA já começou a recuar. 
  • Logo após a queda de Maduro, Trump anunciou que os EUA deverão governar a Venezuela por um período indeterminado, até o país estar preparado para uma transição política.
  • O presidente dos EUA ainda afirmou que a presença norte-americana no país latino-americano tem “tudo a ver com o petróleo”. 
  • De acordo com o chefe da diplomacia norte-americana, Marco Rubio, Washington possui um planos de três fases para a Venezuela. 
  • Na primeira delas, está prevista a estabilização do país, seguida de uma “recuperação” que visa garantir o ingresso de empresas dos EUA e ocidentais ao mercado venezuelano. Só depois disso acontecerá uma transição política no país, informou Rubio. 
  • Em um primeiro momento, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, adotou um tom combativo e em defesa da soberania do país. Ela, porém, recuou após ameaças de Trump e se mostrou disposta a trabalhar junto dos EUA. 

O primeiro grande anúncio de Trump após a captura de Nicolás Maduro diz respeito ao principal objetivo declarado dos EUA na Venezuela: o petróleo do país, que possui as maiores reservas do combustível no mundo.

Na última terça-feira (6/1), o líder norte-americano revelou que o governo interino venezuelano havia concordado em entregar entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo do país a Washington.

O lucro da venda do combustível, informou Trump, será administrado por ele próprio. O objetivo é “garantir que seja usado em benefício do povo da Venezuela e dos Estados Unidos”. O anúncio, como de costume, foi divulgado na rede social Truth.

Mesmo com o comunicado oficial do presidente norte-americano, autoridades em Caracas não comentaram imediatamente o anúncio. O posicionamento oficial surgiu um dia depois da fala de Trump, por meio da estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA).

Sem citar a possibilidade do envio dos milhares de barris do combustível ao país liderado por Trump, a empresa venezuelana informou que “está atualmente em negociações com os Estados Unidos” para a venda de petróleo.

Uma transação classificada como “estritamente comercial”, baseada em outras já existentes entre Caracas e Washington, como a continuidade das operações da petrolífera norte-americana Chevron no país, apesar de sanções contra o setor.

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Imagens da ofensiva realizada em Caracas

EUA ataca Caracas, capital da Venezuela
EUA ataca Caracas, capital da Venezuela
EUA ataca Caracas, capital da Venezuela
Imagens da ofensiva realizada em Caracas

Já na quarta-feira (7/1) foi a vez de Trump anunciar, de forma unilateral, um novo marco nas relações comerciais com a Venezuela. Segundo o líder norte-americano, a vice de Maduro, Delcy Rodríguez, concordou que seu governo só comprará produtos vindos dos EUA com dinheiro oriundo do petróleo.

Entre eles, “produtos agrícolas americanos e medicamentos, dispositivos médicos” e equipamentos para “melhorar a rede elétrica e as instalações energéticas” do país.

Uma outra demanda norte-americana — como de parte da comunidade internacional — também foi atendida pela nova administração venezuelana. Desta vez, referente aos direitos humanos no país.

Como parte de um processo para “consolidar a paz” na Venezuela, o presidente da Assembleia Nacional e irmão da atual presidente venezuelana, Jorge Rodríguez, anunciou a libertação de presos políticos do país.

Apesar do gesto, que indica uma leve mudança nas políticas internas venezuelanas, existem relatos de censura e novas prisões na Venezuela desde a queda de Maduro.

Conforme mostrou o Metrópoles, grupos armados alinhados à administração chavista estariam abordando cidadãos venezuelanos com o objetivo de revistar celulares e identificar mensagens críticas ao governo.

“Eles pegam os telefones para ver se tem alguma coisa que fale de traição, de ditadura ou qualquer crítica. Se encontrarem, dão ordem de prisão. Estão prendendo pessoas por oito, dez anos. Dizem que quem tem algo contra o governo no telefone é traidor da pátria”, revelou Arbeis Ramirez, líder religioso que atua no Brasil e na Venezuela.

Nesta semana, ainda surgiram denúncias sobre perseguição contra jornalistas no país. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores de Imprensa da Venezuela (SNTP), sete profissionais foram presos nas proximidades da Assembleia Nacional do país na segunda-feira (5/1). Eles, contudo, foram libertados após 10 horas de detenção.

Ainda assim, o SNTP afirma que mais de 20 jornalistas seguem presos na Venezuela por razões políticas.