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Novo escândalo: mãe denuncia sumiço do corpo de bebê em hospital dos técnicos de enfermagem

Novo escândalo: mãe denuncia sumiço do corpo de bebê em hospital dos técnicos de enfermagem

Uma mãe denunciou o desaparecimento do corpo de sua filha recém-nascida por quase três meses após o parto no Hospital Anchieta, em Taguatinga, no Distrito Federal. O caso veio à tona após três técnicos de enfermagem passarem a ser investigados por mortes ocorridas na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do mesmo hospital.

Em entrevista à TV Globo, Alyne Pereira, de 31 anos, moradora de Ceilândia, relatou que teve uma gravidez de risco e ficou internada por 15 dias no Hospital Anchieta, em abril de 2023, após apresentar um sangramento.

Segundo ela, durante a internação, pediu diversas vezes para que fosse realizada uma cesariana, mas o médico responsável teria se recusado.

“Eu pedia para ele, pelo amor de Deus, para fazer a cesárea em mim. Ele falou: ‘de jeito nenhum. Não vou fazer. Deixa nascer pela lei da natureza’”, afirmou.

Parto, complicações e internação na UTI

A bebê nasceu em 12 de maio de 2023 e, conforme registros oficiais, teria morrido logo após o parto. Alyne, no entanto, afirma que viu a filha respirando antes de ser levada às pressas para a UTI, após apresentar complicações decorrentes de uma infecção.

“Não pude pegar. Só me mostraram ela. Falaram que tinha nascido morta, sendo que ela estava respirando, eu vi. Logo em seguida, me levaram para a UTI”, relatou.

Enquanto Alyne permanecia internada, a família afirma que não recebeu informações claras sobre o paradeiro do corpo da bebê.

Novo escândalo: mãe denuncia sumiço do corpo de bebê em hospital dos técnicos de enfermagem

Novo escândalo: mãe denuncia sumiço do corpo de bebê em hospital dos técnicos de enfermagem (Foto: Reprodução/TV Globo)

Corpo desaparecido e falta de documentos

Após sair da UTI e ser encaminhada para o quarto, Alyne disse que solicitou a liberação do corpo para o enterro, mas não obteve resposta. Dias depois, ao receber alta, retornou ao hospital para tentar emitir a certidão de óbito, mas o pedido foi negado.

“Falaram que não sabiam onde estava, que tinha desaparecido o corpo dela. Eu não sabia se ela estava viva, não sabia se realmente estava morta”, disse.

Diante da situação, a família registrou um boletim de ocorrência na Polícia Civil.

Corpo localizado após reunião com hospital

Quase três meses depois, Alyne afirma que foi chamada para uma reunião com a direção do Hospital Anchieta, onde foi informada de que o corpo da bebê havia sido localizado. A justificativa apresentada foi a de uma suposta “confusão administrativa”.

Somente após a reunião, o corpo foi encaminhado ao Instituto de Medicina Legal (IML).

Laudo inconclusivo e exame de DNA

Segundo o laudo pericial, o corpo chegou ao IML acondicionado em um saco plástico, com líquido transparente e odor característico de formol. O exame não conseguiu determinar a causa da morte.

O IML solicitou ainda um exame de DNA para confirmação da maternidade. O resultado foi divulgado apenas em 1º de fevereiro de 2024, cerca de nove meses após o parto, e apontou compatibilidade genética de 99,99% entre Alyne, o pai e a bebê.

Mesmo após a confirmação, a família precisou recorrer novamente à Justiça para conseguir a liberação do corpo para sepultamento. O enterro ocorreu somente em maio de 2024, exatamente um ano após o nascimento.

Ação judicial e posicionamento da polícia

Em agosto de 2024, a família ingressou com uma ação judicial pedindo indenização por danos morais contra o Hospital Anchieta.

Segundo o delegado Hermes Dantas, da 12ª Delegacia de Polícia, o inquérito policial foi arquivado. Ele explicou que, para a retomada das investigações, a família precisa solicitar ao Ministério Público a reabertura do procedimento.

Defesa aponta negligência

A advogada da família, Lays Lopes, afirma que houve falhas graves em todo o atendimento prestado pelo hospital.

“Perder um corpo, não saber onde ele está e negar um atestado de óbito a uma mãe não faz sentido algum. Houve negligência de toda a equipe”, afirmou.

Segundo a defesa, até o momento o hospital não apresentou pedido de desculpas nem proposta de acordo. Uma audiência está marcada para abril deste ano.

“Nenhum dinheiro do mundo vai pagar. Nenhum. Ela sempre vai sofrer”, concluiu a advogada.

Entenda o caso dos técnicos

Os três técnicos de enfermagem suspeitos de matar pacientes em um hospital particular do Distrito Federal foram identificados como Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos, Marcela Camilly Alves da Silva, de 22, e Amanda Rodrigues de Sousa, de 28. Eles são investigados por homicídio doloso qualificado, após a morte de ao menos três pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

De acordo com as investigações, Marcos Vinícius é apontado como o principal responsável pelos crimes. A polícia apura que ele teria administrado medicamentos em doses excessivas com a intenção de provocar a morte dos pacientes. Em um dos casos, após não obter êxito, ele teria aplicado desinfetante diretamente na veia da vítima.

Indiciamento e penas

Os três suspeitos devem ser indiciados por homicídio doloso qualificado por meio insidioso, já que as vítimas não sabiam que estavam recebendo substâncias potencialmente letais e não tinham condições de se defender, por estarem acamadas.

A pena prevista para esse tipo de crime varia de 12 a 30 anos de prisão. Marcos Vinícius deve responder pelos três homicídios, enquanto Marcela e Amanda responderão por coautoria em dois casos, já que não estavam presentes em uma das ocorrências.

As investigações seguem em andamento para esclarecer todos os detalhes e possíveis responsabilidades no caso.

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