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Astrônomos identificaram uma estrutura inédita composta por ferro ionizado no interior da Nebulosa do Anel, um dos objetos mais famosos do céu. Apesar de fazer parte de uma formação observada há séculos e registrada por telescópios de ponta, como o James Webb, da NASA, essa particularidade nunca havia sido notada antes.
Nebulosas são grandes nuvens de gás e poeira que podem surgir tanto do nascimento quanto da morte de estrelas. No caso da Nebulosa do Anel, ela é resultado do processo final de uma estrela parecida com o Sol, que perdeu suas camadas externas e deixou exposto um núcleo quente.
Em poucas palavras:
- Astrônomos detectaram faixa de ferro inédita na Nebulosa do Anel;
- Estrutura é enorme, com massa comparável à Marte;
- WEAVE mapeou emissão química revelando ferro altamente ionizado;
- Origem é incerta, podendo envolver estrela ou planeta.

Faixa mede 500 vezes a órbita de Plutão
Nas novas imagens, uma espécie de “faixa” de ferro atravessa a região central da nebulosa e parece se encaixar dentro do anel luminoso que lhe dá nome. Segundo os pesquisadores, o comprimento da estrutura equivale a cerca de 500 vezes a órbita de Plutão, enquanto a massa total de ferro é comparável à de Marte.
O astrônomo Roger Wesson, da University College London e da Cardiff University, no Reino Unido, relatou em um comunicado que o material saltou aos olhos assim que os dados foram processados. Para os cientistas, trata-se de uma quantidade expressiva de material concentrada em uma área considerada bem conhecida e amplamente estudada.
A Nebulosa do Anel continuará visível pelos próximos milhares de anos, enquanto o núcleo estelar remanescente esfria e se torna uma anã branca. Esse também é um destino esperado para o Sol, que um dia deverá gerar uma nebulosa semelhante quando estiver no fim da vida.
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Nebulosa foi observada em nível de detalhes sem precedentes
Para identificar a faixa, os pesquisadores utilizaram o WEAVE, um novo instrumento instalado no telescópio William Herschel, nas Ilhas Canárias. Diferentemente de câmeras comuns, o equipamento separa a luz da nebulosa em diferentes comprimentos de onda, produzindo um mapa químico detalhado.
Ao analisar esses dados, a equipe detectou uma emissão forte associada ao ferro ionizado, revelando a presença da faixa. Segundo Wesson, o WEAVE permitiu observar a nebulosa com um nível de detalhe que antes não era possível.
A origem da estrutura ainda é um mistério. Uma hipótese é que o ferro esteja ligado ao processo de expulsão do material estelar, que pode ter variado de forma incomum durante a fase final da estrela. Outra possibilidade sugere que o ferro seja resultado da vaporização de um planeta rochoso destruído pela expansão estelar.
Novas observações deverão verificar se outros elementos químicos acompanham o ferro e se formações semelhantes podem ser encontradas em outras nebulosas da Via Láctea.