Um vídeo obtido com exclusividade pela coluna Mirelle Pinheiro, do Metrópoles, revela que Jardel Neto Pereira da Cruz, conhecido como “Dedel”, namorado da delegada Layla Lima Ayub, presa nesta sexta-feira (16) por ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC), mantinha uma espécie de “escola de tortura” ligada ao chamado tribunal do crime da facção.
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Nas imagens, gravadas no Conjunto Habitacional Vila Jardim, na zona Oeste de Boa Vista (RR), área conhecida pela forte atuação do PCC, adolescentes aparecem agredindo pessoas com pauladas na palma da mão, prática comum utilizada como punição interna pela organização criminosa.
Durante a gravação, uma voz ao fundo, identificada pelas investigações como sendo de Jardel, incentiva a violência e orienta os menores. Em determinado momento, ele ordena: “É para bater direito!”.
Segundo apuração da Polícia Civil, a sessão de tortura teria como objetivo ensinar outros integrantes da facção a aplicar punições em moradores da região, funcionando como um treinamento para novos faccionados.
Atuação criminosa no Norte do país
De acordo com investigações da Polícia Federal (PF), Jardel é um dos integrantes do PCC com atuação destacada na região Norte. Ele foi identificado nas imagens por meio de tatuagens e já vinha sendo monitorado por órgãos de inteligência.
Relatórios apontam que “Dedel” cobrava das lideranças estaduais da facção ações mais agressivas, incluindo a articulação de atentados contra autoridades do Judiciário, do sistema penal e das forças de segurança. As investigações também indicam que ele oferecia armas a criminosos locais, com o objetivo de financiar e fortalecer ataques.
Além disso, Jardel é investigado por incentivar o recrutamento de adolescentes para a prática de crimes graves, estratégia recorrente de facções para tentar reduzir punições penais.
Prisão anterior e codinomes
Em junho de 2021, Jardel Neto Pereira da Cruz, também conhecido pelos codinomes “Vrau Nelas” e “Americano”, foi preso em flagrante por tráfico de drogas durante uma operação da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco). Na ocasião, ele foi flagrado com 25 gramas de skunk, R$ 129 em dinheiro e dois celulares.
Apesar da prisão, ele responde ao processo em liberdade.
Ligação com a delegada presa em SP
Conforme já noticiado, Jardel mantinha relacionamento com a delegada Layla Lima Ayub, presa durante uma operação do Ministério Público de São Paulo (MPSP) que investiga a infiltração do crime organizado em estruturas do Estado.
Segundo o MPSP, Layla mantinha vínculo pessoal e profissional com integrantes do PCC e teria exercido de forma irregular a advocacia, inclusive atuando em audiências de custódia de faccionados, mesmo após já ter tomado posse como delegada da Polícia Civil, em dezembro de 2025.
O namorado chegou a acompanhar Layla na cerimônia de posse, realizada no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista.
Layla e Jardel são investigados pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro. A Justiça decretou a prisão temporária do casal e autorizou mandados de busca e apreensão em São Paulo e no Pará.
As investigações também apuram a compra de uma padaria na Zona Leste de São Paulo com dinheiro de origem ilícita, supostamente registrada em nome de um “laranja” para ocultar a real propriedade do negócio.
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