O Ministério Público de São Paulo solicitou, nesta terça-feira, que a Polícia Federal instaure um inquérito para investigar a contratação da empresa responsável pela administração do Fundo da Arena Itaquera, estrutura que gerencia os fluxos financeiros ligados ao estádio do Corinthians. A solicitação foi feita pelo promotor Cássio Roberto Conserino, que já conduz outras apurações envolvendo ex-dirigentes do clube.
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A empresa citada no pedido é a Reag, atualmente denominada Arandu Investimentos, que passou a integrar a gestão do fundo a partir de um acordo firmado em 2022, durante a presidência de Duílio Monteiro Alves. O entendimento, costurado junto à Caixa Econômica Federal, previa que a gestora fosse responsável por organizar o repasse dos valores arrecadados pelo Corinthians ao banco estatal, credor da arena.
A dívida do clube relacionada à construção do estádio, localizado em Itaquera, gira em torno de R$ 655 milhões. Segundo o Ministério Público, a entrada da empresa no arranjo financeiro colocou sob sua gestão fluxos considerados elevados e com baixo nível de rastreabilidade, o que motivou o pedido de apuração mais aprofundada.
A Reag já havia entrado no radar das autoridades em investigações anteriores. A empresa foi citada na Operação Carbono Oculto, conduzida pelo Ministério Público Federal, que apura a suspeita de criação de fundos e aquisição de empresas para ocultação patrimonial ligada a integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). A gestora nega qualquer irregularidade.
Mais recentemente, o nome da empresa também apareceu em apurações relacionadas a fraudes envolvendo o Banco Master, o que aumentou a pressão sobre o vínculo com o Corinthians. Diante desse cenário, o clube iniciou tratativas para substituir a responsável pela administração financeira da arena.
Nas mãos da Polícia Federal
No ofício encaminhado à Superintendência da Polícia Federal, o promotor sustenta que a concentração de grandes volumes financeiros em um fundo gerido por uma empresa sob investigação criminal justifica a abertura de inquérito. O objetivo, segundo o documento, é verificar a regularidade da contratação e a atuação da gestora após a renegociação do contrato com a Caixa.
O Ministério Público aponta ainda a possibilidade, em tese, de crimes como lavagem de dinheiro, organização criminosa e delitos contra o sistema financeiro nacional. Conserino ressalta que a investigação não envolve a gestão esportiva do Corinthians, mas se concentra na governança do fundo e nos fluxos financeiros ligados à Arena Itaquera.
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