Médico famoso é condenado a prisão após morte de bilionário que queria aumentar o pênis

Um famoso cirurgião plástico, identificado como Guy H., foi condenado a um ano e três meses de prisão pela morte do negociante de diamantes belga-israelense Ehud Arye Laniado, que morreu durante um procedimento de aumento do pênis em uma clínica estética de Paris, em março de 2019. A sentença foi anunciada na última quarta-feira (28) e também determinou a proibição definitiva do médico de voltar a exercer a medicina.

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Segundo a Justiça francesa, Guy H. realizava procedimentos frequentes em Ehud, que custavam dezenas de milhares de euros e ocorriam de duas a quatro vezes por ano. O procedimento fatal foi realizado fora do horário comercial, na clínica Saint-Honoré-Ponthieu, voltada a um público de alto poder aquisitivo.

Durante a cirurgia, o bilionário sofreu uma parada cardíaca e morreu no local. Inicialmente, o caso foi tratado como homicídio culposo, mas o rumo das investigações mudou ao longo do processo, passando a apurar omissão de socorro, crimes relacionados ao uso de drogas e exercício ilegal da medicina.

Médico auxiliar também é condenado

Um segundo médico que auxiliava Guy H. durante o procedimento também foi condenado a 12 meses de prisão, mas teve a pena suspensa. Ele igualmente foi proibido de exercer a profissão.

De acordo com informações do jornal Le Parisien, a principal dúvida dos investigadores não foi a injeção aplicada no procedimento, rapidamente descartada como causa direta da morte, mas o tempo levado para acionar os serviços de emergência. O primeiro pedido de ajuda ocorreu por volta das 20h, enquanto o contato com os bombeiros só foi feito cerca de duas horas depois.

Depoimento dos réus

Em depoimento, os réus alegaram que o primeiro telefonema ocorreu devido ao comportamento irritado de Ehud e à insistência do paciente em continuar o procedimento, apesar de relatar dores abdominais. A defesa argumentou que o bilionário sofria de úlcera, o que teria dificultado a identificação de um problema cardíaco.

Sob condição de anonimato, um médico parisiense afirmou ao jornal que o caso não causou surpresa no meio médico. Segundo ele, em círculos de alto padrão da cirurgia plástica, regras básicas de segurança costumam ser flexibilizadas.

Durante o julgamento, o advogado de Guy H., Martin Reynaud, tentou minimizar a responsabilidade do cirurgião. Segundo a defesa, o ataque cardíaco poderia ter ocorrido em qualquer lugar, independentemente do procedimento médico realizado.

A decisão da Justiça encerra um processo que se arrastava há quase sete anos e reforça o debate sobre limites éticos, segurança e fiscalização em procedimentos estéticos realizados fora dos padrões médicos adequados.

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