Maior grupo indígena isolado do planeta é registrado no Acre pela primeira vez em alta definição

Os registros em alta definição evidenciam a importância da Terra Indígena Mamoadate, situada no interior do Acre

O Acre voltou a ocupar destaque no cenário nacional e internacional ao ser identificado como um território essencial para a preservação do povo indígena Mashco Piro, considerado o maior grupo em isolamento voluntário do planeta. A repercussão surgiu após a publicação de imagens inéditas pelo jornal O Globo, mostrando membros da etnia circulando na região de fronteira entre Brasil e Peru.

As imagens, captadas com tecnologia de ponta, revelam o momento em que os indígenas deixam a mata fechada em direção a uma praia fluvial/Foto: Reprodução

Os registros em alta definição evidenciam a importância da Terra Indígena Mamoadate, situada no interior do Acre, como um corredor vital de proteção para esses povos. Frente às ameaças que avançam do lado peruano, como a ação de madeireiros ilegais, narcotraficantes e os efeitos da crise climática, o território acreano se tornou um refúgio recorrente para os Mashco Piro.

As imagens, captadas com tecnologia de ponta, revelam o momento em que os indígenas deixam a mata fechada em direção a uma praia fluvial. Inicialmente, o grupo mantém uma postura defensiva, com arcos e flechas em punho, mas a tensão diminui conforme percebem que não há perigo imediato, permitindo registrar cenas raras de interação e tranquilidade.

Em outra observação registrada no mesmo período, um grupo de 17 indígenas foi visto perto da aldeia de Puerto Nuevo: /Foto: Survival

O ambientalista Paul Rosolie apresentou o material durante sua participação no Lex Fridman Podcast. Ele explicou que as imagens representam um marco na forma como o mundo observa os povos isolados, destacando que “para que tudo isso fizesse sentido, eu precisava mostrar essas imagens. Isso nunca foi visto antes. O que você sempre viu foram imagens borradas a 100 metros de distância; aqui, estamos observando a humanidade deles de perto”.

Antes dessa divulgação, os Mashco Piro já haviam sido observados em outros momentos. As primeiras imagens repercutiram internacionalmente em junho do ano passado, quando o portal Survival registrou mais de 50 indígenas próximos à aldeia Yine de Monte Salvado, no sudeste do Peru.

Em outra observação registrada no mesmo período, um grupo de 17 indígenas foi visto perto da aldeia de Puerto Nuevo, reforçando os alertas de especialistas sobre a crescente pressão humana e ambiental sobre os territórios tradicionais da etnia.

A migração frequente dos Mashco Piro para as cabeceiras dos rios no Acre é interpretada como uma reação direta à invasão de madeireiros ilegais e narcotraficantes no Peru, além dos efeitos da crise climática. Secas prolongadas e incêndios florestais têm reduzido a oferta de alimentos tradicionais, como ovos de tartaruga, forçando o deslocamento do grupo para áreas mais preservadas.

Diante desse contexto, autoridades brasileiras e especialistas em povos isolados reforçam a necessidade de vigilância constante, lembrando que o contato forçado pode ser fatal, já que esses indígenas não possuem imunidade a doenças comuns nas áreas urbanas.