A apuração que investiga movimentações financeiras suspeitas no São Paulo Futebol Clube avançou e passou a ser tratada pela Justiça como um caso com indícios considerados “muito fortes” de lavagem de dinheiro. A informação foi confirmada por fontes ligadas ao processo ouvidas pela reportagem.
O foco da investigação é o caminho de aproximadamente R$11 milhões retirados diretamente das contas do clube entre 2021 e 2025. Para magistrados que acompanham o caso, os saques em dinheiro vivo levantam suspeitas que vão além de falhas administrativas e podem indicar um esquema estruturado para ocultar ou disfarçar a origem dos recursos.
Segundo relatos, as evidências reunidas até agora são classificadas como relevantes e reforçam a possibilidade de crime financeiro.
Polícia aguarda balanços financeiros do clube
O inquérito conduzido pela Polícia Civil de São Paulo apura, inicialmente, possíveis crimes de associação criminosa, furto qualificado e apropriação indébita. Nesta fase, os investigadores aguardam o envio dos balanços financeiros do São Paulo, já requisitados oficialmente, para aprofundar a análise das movimentações.
Em nota, a defesa do São Paulo Futebol Clube afirmou que a instituição é vítima no caso e que todos os valores sacados estão devidamente registrados na contabilidade oficial do clube.
Já a defesa do presidente Júlio Casares informou que acompanha o andamento da investigação com tranquilidade. Segundo o advogado Bruno Borragine, a apuração é natural diante do objeto do inquérito e o acesso integral aos autos ainda está sendo aguardado.
Investigação avança junto a processo de impeachment
O avanço da apuração ocorre paralelamente ao processo de impeachment da atual diretoria do São Paulo. A votação que pode decidir o futuro de Júlio Casares no cargo está prevista para esta sexta-feira (16).
Decisão judicial recente manteve a possibilidade de votação em formato híbrido — presencial e remoto — desde que seja respeitado o quórum mínimo de 75% dos conselheiros para abertura da sessão. Para que o impeachment seja aprovado, são necessários os votos favoráveis de dois terços do total de conselheiros do clube.
O desfecho do processo político e o avanço da investigação criminal caminham de forma independente, mas ambos aumentam a pressão sobre a atual gestão do clube.
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