Jovem que já morou na rua é empossado como professor no concurso da educação do estado no interior do Acre

Trajetória marcada por superação leva ex-morador de rua à sala de aula como professor da rede estadual em Sena Madureira

O jovem Francisco Leandro, 34 anos, mais conhecido por Léo do hip-hop, obteve uma grande conquista em sua vida profissional ao ser empossado como professor de física em Sena Madureira, no concurso promovido pelo Governo do Acre, através da secretaria de estado de educação (SEE).

Assinatura do termo marca o início de uma nova etapa na carreira de Léo do hip-hop/Foto: Cedida

Léo é um exemplo claro do quanto a educação tem o poder de mudar a vida das pessoas. Ele conta que passou por várias dificuldades na adolescência, chegando inclusive a morar em situação de rua.

“Passei 5 anos morando na rua e vivendo de doações, mas as dificuldades foram o combustível para que eu pudesse galgar novos horizontes e correr atrás dos meus sonhos. Hoje a palavra é gratidão e persistência, nesse meio em que a gente vive, precisamos nunca desistir daquilo em que a gente acredita”, disse.

O professor recém-empossado afirma que na adolescência sempre se interessou por matemática, e por mais que sua realidade falasse ao contrário, foi na educação que ele encontrou motivos para seguir em busca de uma vida melhor.

Professor Francisco Leandro celebra a posse no concurso da Educação do Estado em Sena Madureira/Foto: Cedida

“Eu sou o filho mais velho de 7 irmãos, presenciei minha mãe não ter um quilo de açúcar para fazer um café pra gente, e eu tinha que acordar 5 horas da manhã para ir para a rua pedir. Quem sempre nos ajudava era o saudoso seu Adiel Teixeira, que nos dava 10 reais todos os dias para comprarmos um quilo de carne”, afirmou o jovem.

CULTURA HIP-HOP FOI VÁLVULA DE ESCAPE PARA NÃO SE ENVOLVER COM CRIMINALIDADE!

Léo conta ainda que graças a cultura hip-hop ele se manteve longe das drogas e do mundo do crime. “Muita gente falava que eu iria ser bandido, viveria as margens da sociedade, mas a educação e a cultura hip-hop me salvaram”, finalizou.