Jovem filha de major da PM pode ter sido executada por ‘tribunal do crime’

A Polícia Civil investiga a morte de Naysa Kayllany da Costa Borges Nogueira, de 23 anos, filha do major da Polícia Militar Neyfson Borges, como uma possível execução promovida pelo chamado “tribunal do crime”. O caso foi registrado no domingo (4), após a jovem dar entrada já sem vida em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) na Zona Oeste do Rio de Janeiro.

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De acordo com as investigações, Naysa chegou à unidade apresentando parada cardiorrespiratória, além de marcas de tiros e sinais evidentes de espancamento pelo corpo. Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que um carro preto estaciona em frente à UPA. Um funcionário retira a jovem do veículo em uma cadeira de rodas, já desacordada. Logo depois, o automóvel deixa o local.

No carro estavam ainda a namorada de Naysa e uma colega de trabalho, que não permaneceram na unidade após deixarem a vítima.

Suspeita de punição do tráfico

Segundo depoimentos colhidos pela polícia, Naysa e outras jovens teriam sido agredidas após serem acusadas de furtar dinheiro de um ferro-velho que teria ligação com o tráfico de drogas. A vítima havia trabalhado no local por apenas quatro dias, enquanto outra jovem envolvida teria atuado por apenas um dia.

A principal suspeita é de que as agressões tenham sido determinadas como forma de punição criminosa, prática conhecida como “tribunal do crime”, comum em áreas dominadas por facções.

Investigações em andamento

A Polícia Civil já identificou quatro suspeitos e segue ouvindo testemunhas para esclarecer a dinâmica do crime. Agentes das polícias Civil e Militar realizaram buscas na comunidade onde Naysa morava sozinha, há cerca de seis meses. Durante as diligências, um bastão de madeira, que pode ter sido utilizado nas agressões, foi apreendido.

Naysa era estudante de psicologia em uma universidade particular e, segundo familiares, não tinha envolvimento com atividades criminosas.

Dor e indignação da família

Durante o velório, realizado na quarta-feira (7), o pai da jovem, o major Neyfson Borges, afirmou que a filha foi vítima de uma execução e cobrou justiça.

“Não importa o que estejam dizendo que ela fez. Tenho plena certeza da integridade, da idoneidade da minha filha. O sonho dela foi interrompido por uma execução”, declarou o policial militar.

O caso segue sob investigação da Polícia Civil, que trabalha para identificar todos os envolvidos e esclarecer as circunstâncias da morte da jovem.

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