A irmã de Geovana Antonela Meireles Tavares, jovem encontrada morta no último sábado (3) em uma cela de um presídio em Porto Velho (RO), quebrou o silêncio e fez um emocionante desabafo sobre a morte da irmã. Por meio de uma série de vídeos publicados em seu perfil no Instagram nesta segunda-feira (5), Ketally Meireles falou sobre o caso e cobrou esclarecimentos.
Inicialmente, Ketally repostou publicações que abordam os direitos humanos de pessoas que cumprem pena e destacou a responsabilidade do Estado sobre indivíduos sob custódia. “Quando uma pessoa é presa e colocada sob custódia do Estado, a polícia assume o dever legal de proteção dessa pessoa. Isso inclui garantir a integridade física, garantir a vida e prestar socorro imediato, se necessário. Se a pessoa morre dentro da cela, o entendimento predominante da Justiça é que há responsabilidade do Estado”, diz o texto compartilhado.
Saiu em defesa da companheira de Geovana
Na sequência, Ketally afirmou que Joyce, companheira de Geovana, não tem qualquer relação com a morte da jovem. Segundo ela, a suposta traição mencionada anteriormente teria ocorrido em um período em que o casal estava separado.
A irmã também pediu empatia do público em relação a Joyce, que foi agredida por Geovana antes da prisão. “Ela está muito mal com toda essa situação. Peço a todos vocês que querem o nosso bem que deixem a gente viver o nosso luto. A Joyce fez tudo pela minha irmã”, afirmou, ao mencionar os episódios de depressão enfrentados por Geovana nos últimos meses.
Em outro trecho do desabafo, Ketally expressou dor e indignação. “Minha irmã já estava morrendo aos poucos, e eu não pude fazer nada. Ninguém pôde, inclusive o Estado, que ouviu minha irmã e não fez nada”, declarou.
Ela também reforçou que a família buscará responsabilização pelo que classificou como descaso da unidade prisional. “Eu quero uma resposta. Queremos justiça, sim, mas não contra a Joyce, porque ela ajudou a minha irmã”, concluiu.
Nota dos Direitos Humanos
O Centro de Defesa dos Direitos Humanos de Crianças, Adolescentes e Mulheres (CEDECA) também se pronuniou sobre o caso e cobrou as autoridades. “A instituição que atua na defesa de direitos humanos manifesta profunda preocupação diante das informações divulgadas sobre a morte de Geovana Antonielle, ocorrida em ambiente de custódia, após sua condução por episódio de agressão contra uma mulher. Trata-se de um caso complexo, que exige responsabilidade, apuração técnica e, ao mesmo tempo, coragem institucional para reconhecer falhas sistêmicas quando elas aparecem.”
Ao falar sobre o caso de violência doméstica, o órgão afirmou que: “É necessário afirmar com clareza dois pontos que não se anulam. Primeiro, a agressão contra uma mulher é inaceitável e deve ser tratada com seriedade. A mulher atingida precisa de acolhimento, proteção e encaminhamento pela rede competente, com escuta qualificada, orientação e, quando cabível, medidas protetivas, evitando qualquer forma de revitimização.”
Entenda o caso

Antes de ser morta na prisão, jovem publicou vídeo com mensagem enigmática (Foto: Reprodução/Redes sociais)
De acordo com informações preliminares divulgadas pelo portal Rondoniagora, Geovana havia sido detida horas antes, na tarde de sábado, suspeita de envolvimento em um caso de violência doméstica contra a companheira. A ocorrência teria sido registrada em uma residência localizada no bairro Escola de Polícia.
Por volta das 18h, agentes perceberam que a jovem estava desacordada dentro da cela. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado imediatamente, mas, ao chegar ao local, a equipe constatou que Geovana já estava sem sinais vitais.
As circunstâncias da morte ainda serão apuradas pelas autoridades competentes. O caso será investigado para esclarecer o que ocorreu durante o período em que a jovem esteve sob custódia policial.
O suicídio pode ser prevenido. Reconhecer sinais de alerta em si mesmo ou em alguém próximo pode ser o primeiro e mais importante passo. Em caso de necessidade, procure ajuda médica especializada. O Centro de Valorização da Vida (CVV) atende gratuitamente pelo telefone 188, 24 horas por dia.
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