A disputa pelas duas cadeiras do Senado Federal em 2026 já movimenta o tabuleiro político no Acre. Segundo levantamento recente divulgado pelo jornal Estadão, com base em pesquisas de diversos institutos, o atual governador Gladson Cameli (PP) surge como um dos nomes mais fortes para ocupar uma das vagas na Casa Alta. No entanto, sua possível eleição está inserida em uma estratégia nacional complexa que coloca, de um lado, a tentativa do ex-presidente Jair Bolsonaro de formar uma maioria conservadora e, de outro, a articulação do governo Lula para manter a governabilidade.
O estado é considerado peça-chave para o bolsonarismo, que planeja eleger 54 senadores em todo o país para viabilizar pautas de impacto, como o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). No Acre, a tendência é de renovação ou manutenção de perfis de direita, com Cameli liderando as intenções de voto em cenários testados pelo Paraná Pesquisas, onde chega a superar a marca de 40% de preferência.
Apesar do favoritismo, analistas apontam que a vitória de nomes como Cameli não significa necessariamente um “cheque em branco” para as pautas mais radicais da oposição.
“Direita Governível” vs. Radicalismo
O ponto de divergência entre a tática de Bolsonaro e a realidade das urnas reside no perfil dos candidatos. Murilo Hidalgo, CEO do Paraná Pesquisas, destaca que, embora o Senado de 2027 tenda a ser mais conservador e focado em pautas de costumes, isso não se traduz automaticamente em votos para a cassação de magistrados da Suprema Corte.
Ao analisar o perfil de governadores que devem migrar para o Legislativo, como o gestor acreano, Hidalgo é categórico:
“Vamos, sim, ter um Senado conservador, mais à direita e voltado para a pauta de costumes. Mas senadores bolsonaristas, dispostos, por exemplo, a votar pelo impeachment de ministros do Supremo, não acredito que serão muitos. Os governadores que vão concorrer, como Antônio Denarium, Cláudio Castro, Mauro Mendes e Gladson Cameli, são favoritos e se situam no campo da centro-direita. Acho pouco provável que votem para cassar ministros do STF”, afirma Hidalgo.
Para o governador do Acre, que encerra seu segundo mandato em 2026, a ida ao Senado representa a continuidade de sua influência política. No entanto, seu histórico é marcado por uma postura pragmática de diálogo com o Governo Federal para garantir recursos ao estado, o que o afasta do rótulo de “bolsonarista ideológico” radical.

