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Executados por engano: detalhes ligados ao crime fazem facções confundirem inocentes com rivais

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Executados por engano: detalhes ligados ao crime fazem facções confundirem inocentes com rivais

As facções criminosas estão presentes em todos os estados do Brasil e fazem vítimas não apenas por meio da violência armada ou do tráfico de drogas. Um levantamento do ACLED (Armed Conflict Location & Event Data Project) mostra que, apenas em 2024, foram registradas ao menos 16 mortes relacionadas a gestos faccionais — número quatro vezes maior do que o de 2023, quando houve quatro ocorrências. A escalada preocupa autoridades e reforça como sinais aparentemente banais podem ser interpretados como um desafio mortal dentro de comunidades controladas pelo crime organizado.

E não são apenas os números que evidenciam esse tipo de violência. Na última semana, a execução de quatro jovens mineiros em Biguaçu (SC), encontrados em um cemitério clandestino utilizado pelo PGC, expôs novamente uma dinâmica cruel e recorrente no Brasil: pessoas sem qualquer envolvimento com o crime sendo confundidas com integrantes de facções rivais. O caso não é isolado.

Casos semelhantes

Em 2025, o influenciador baiano Kakay foi morto a tiros após ter a casa invadida. A polícia investiga se uma foto publicada por ele nas redes sociais, na qual aparece fazendo um gesto com a mão que simboliza o número três, pode ter motivado o crime. O sinal, considerado uma exaltação ao Bonde do Maluco (BDM), teria sido interpretado como provocação, já que o jovem vivia em uma área dominada pelo Comando Vermelho, facção rival.

Outro episódio de grande repercussão ocorreu no Ceará. Um jovem paulista, que viajava para Jericoacoara, foi sequestrado e morto depois de publicar fotos turísticas em que aparecia fazendo um gesto associado ao número três. Para os criminosos que o interceptaram, a imagem configuraria apologia a facções rivais.

O que são esses gestos?

De acordo com o professor de Direito Penal Armindo Robinson, os sinais utilizados por facções funcionam como códigos visuais de intimidação, empregados para reforçar o controle territorial e a identidade de cada grupo. Eles são usados tanto no contato presencial, dentro das comunidades, quanto nas redes sociais.

“Para os criminosos, não importa a identidade da vítima nem se ela tem ligação com o crime. Muitas vezes, um simples gesto é interpretado como afronta e pode levar à violência letal”, explica.

Os gestos mais comuns incluem:

Além dos gestos com as mãos, cortes de cabelo, tatuagens e até poses em fotografias podem ser confundidos com sinais faccionais, ampliando o risco de interpretações equivocadas e fatais.

Onde cada símbolo predomina?

Tudo 2 (CV e aliados): Comando Vermelho (RJ), União do Crime do Amapá (AP), Comando da Paz (BA), Bonde do Ajeita (BA), Comando Vermelho do Maranhão (MA), Novo Okaida (PB e RN), CV Goiás (GO), Primeiro Comando de Vitória (ES), Máfia Paranaense (PR), Primeiro Grupo Catarinense (SC), CV-SC (SC), Bala na Cara (RS).

Tudo 3 (PCC e aliados): PCC (SP, com presença em quase todos os estados), Bonde dos 13 (AC, TO), Terceiro Comando Puro (RJ), Amigos dos Amigos (RJ), Comando Classe A (PA), Família Terror (AP), Primeiro Comando do Panda (RO), Guardiões do Estado (CE), Bonde do Maluco (BA), Estados Unidos (PB), Comboio do Cão (DF), Os Manos (RS).

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