A Justiça de Minas Gerais determinou na última quarta-feira (28), que o empresário Renê da Silva Nogueira Júnior, acusado de matar o gari Laudemir de Souza Fernandes, vai a júri popular em Belo Horizonte. O réu responderá por homicídio duplamente qualificado, além do crime de ameaça direcionado à condutora do caminhão de coleta que presenciava a cena no momento do ocorrido.
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A sentença de pronúncia foi estabelecida pela juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza, integrante do 1º Tribunal do Júri da capital mineira. Conforme o entendimento jurídico, os autos apresentam provas materiais e indícios de autoria que justificam a análise do caso pelo conselho de sentença. Embora a determinação permita a interposição de recursos pela defesa, o processo segue para a fase de agendamento do julgamento, caso a decisão seja confirmada em instâncias superiores.
Prisão preventiva
Dentro do mesmo despacho, a magistrada optou por indeferir a solicitação de liberdade provisória apresentada pelos advogados de defesa. Com isso, a prisão preventiva de Renê da Silva Nogueira Júnior permanece vigente, sob o argumento de preservar a ordem pública e assegurar a instrução criminal. O empresário encontra-se preso desde agosto do último ano, quando o flagrante foi convertido em prisão preventiva logo após o episódio.
Além da permanência no sistema prisional, a Justiça negou o pedido para que o processo tramitasse sob sigilo. A defesa também pleiteou a devolução do aparelho celular apreendido durante as diligências investigativas, solicitação que foi igualmente rejeitada pela juíza.
Relembre o crime
O incidente ocorreu no bairro Vila da Serra, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, em agosto de 2025, motivado por um desentendimento no trânsito.
Segundo os relatos que constam no inquérito policial, os trabalhadores realizavam a coleta urbana quando o veículo conduzido pelo empresário foi impedido de transitar momentaneamente. Testemunhas afirmam que, mesmo após a tentativa de viabilizar a passagem, o acusado teria desembarcado do automóvel e efetuado os disparos contra a equipe de trabalho.
A identificação do suspeito foi possível graças ao auxílio de testemunhas que memorizaram o número da placa do veículo, além do suporte de sistemas de monitoramento por câmeras da região. A captura ocorreu em uma academia, onde o empresário negou o envolvimento com os fatos. Contudo, o reconhecimento presencial e as evidências técnicas reforçaram a tese da acusação apresentada pelo Ministério Público.
A arma do crime
Um ponto relevante apurado pela Polícia Civil diz respeito à origem do armamento utilizado na ação. Exames de microbalística confirmaram que os projéteis encontrados no local do crime partiram de uma arma pertencente à esposa do réu, que atua como servidora da Polícia Civil de Minas Gerais.
O laudo pericial comparou munições deflagradas e intactas colhidas na cena com o equipamento registrado em nome da funcionária pública.
Diante dessa constatação, a Corregedoria da instituição instaurou um procedimento administrativo paralelo para investigar a conduta da servidora e as circunstâncias em que o armamento chegou às mãos do marido.
O processo principal segue agora para o júri popular, representada pelos jurados, para que profira o veredito final sobre a responsabilidade de Renê da Silva Nogueira Júnior na morte de Laudemir de Souza Fernandes.
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