Juruá Informativo

Em aceno ao Congresso, Lula empenha quase todas as emendas de 2025

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) empenhou quase a totalidade das emendas parlamentares inclusas no Orçamento de 2025. Até a última quarta-feira (31/12), o Palácio do Planalto reservou cerca de R$ 46,2 bilhões para investimentos indicados por deputados e senadores, cumprindo a promessa na tentativa de melhorar a relação com o Legislativo.

 o Palácio do Planalto reservou cerca de R$ 46,2 bilhões para investimentos indicados por deputados e senadores, cumprindo a promessa na tentativa de melhorar a relação com o Legislativo/Foto: Reprodução

O montante representa 95,35% do total estipulado em recursos de pagamento autorizado pelo Executivo, que é de quase R$ 48,5 bilhões.

Empenhar recursos é a penúltima etapa do Orçamento. Isso significa que esses recursos já foram reservados pelos cofres públicos e devem seguir para o pagamento.

A polêmica das emendas

Maiores montantes

A maior parcela empenhada e paga é a de emendas individuais, àquelas indicadas diretamente pelos 513 deputados e 81 senadores, com pagamento obrigatório pelo governo. Essa rubrica teve R$ 24,6 bilhões autorizados pelo Orçamento de 2025, com R$ 23,9 bilhões (98%) empenhados e R$ 19,7 bilhões (80,5%) pagos.

Já recursos indicados pelas bancadas estaduais tiveram 85% dos recursos empenhados pelo Palácio do Planalto. Foram autorizados R$ 12,3 bilhões, reservados cerca de R$ 10,5 bilhões e pagos R$ 6 bilhões.

Emendas indicadas pelas comissões permanentes das Casas também tiveram a maior parte dos recursos empenhados. Dos R$ 11,5 bilhões autorizados, R$ 10,7 bilhões foram encaminhados. O pagamento desses recursos não é obrigatório. Assim, só 46% foram efetivamente pagos.

Relação com o Congresso

A movimentação de recursos na reta final do ano representa um aceno do governo Lula para amenizar a relação com o Congresso à frente do ano eleitoral de 2026. Já no início do ano legislativo, o Planalto deverá enfrentar votações decisivas na área da Segurança Pública e pautas trabalhistas.

O descontentamento generalizado com a falta de pagamentos de emendas é visto como um fator que contribuiu para que o Planalto tenha derrotas em votações ao longo de 2025, como a dosimetria e o PL Antifacção, além de ter colaborado para a PEC da Segurança sequer ser pautada.

Depois de sucessivos atritos, o governo Lula se comprometeu com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) que empenharia todas as emendas parlamentares de 2025 até o final do ano. O gesto seria uma forma de retomar a relação e fortalecer a posição do deputado paraibano no Congresso, desgastada depois de derrotas como o arquivamento das cassações de Carla Zambelli (PL-SP) e Glauber Braga (Psol-RJ).

Sair da versão mobile