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Conhece o Vírus Nipah? Entenda sintomas, formas de contágio e se pode chegar ao Brasil

Conhece o Vírus Nipah? Entenda sintomas, formas de contágio e se pode chegar ao Brasil

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Recentemente, quase 100 pessoas ficaram em quarentena na Bengala Ocidental (Índia) devido ao surto do vírus Nipah. De início, 5 pacientes foram diagnosticados com o microrganismo, mas médicos, enfermeiros e outros profissionais também foram isolados por segurança, a fim de minimizar as chances da infecção letal escapar.

Com a Índia em alerta, outras regiões pelo mundo também ficam preocupadas. Por esse motivo, o Olhar Digital apurou as informações e trouxe um resumo completo sobre o vírus Nipah. A seguir, você confere dados sobre os sintomas, formas de infecção, e a possibilidade de o micróbio chegar ao Brasil.

Tudo o que você precisa saber sobre o vírus Nipah

O que é o vírus Nipah e qual sua origem biológica?

Morcego prestes a se alimentar de uma laranja e de um melão (Reprodução:
Steven Mc Leod/Unsplash)

O vírus Nipah existe naturalmente no organismo de morcegos frugívoros (que se alimentam de frutas, folhas, seiva, néctar e pólen), mas apenas naqueles que pertencem ao gênero Pteropus. Esse tipo de morcego, inclusive, não existe no Brasil, mas é comum em muitos países do continente asiático.

Uma vez que um morcego está infectado pelo vírus, é possível transmiti-lo para outros animais, humanos e superfícies (como em frutas e plantas). Dito isso, está claro que o Nipah é um patógeno zoonótico: circula entre animais, mas pode infectar humanos e ocasionar doenças graves.

Estima-se que sua letalidade ocorre entre 40% e 75% dos casos, o que o torna extremamente perigoso. Juntando este fato à fácil transmissão de uma pessoa a outra, os profissionais de saúde caracterizam o patógeno com alto potencial epidêmico e pandêmico.

Em quais partes do mundo o vírus Nipah já foi detectado?

Porco em uma fazenda (Imagem: Inna_Kandybka/Shutterstock)

O primeiro caso documentado de um humano infectado pelo vírus Nipah ocorreu em 1999, na Malásia. O patógeno acometeu, especialmente, fazendas, infectando porcos e trabalhadores rurais.

Em seguida, outras regiões do Sul e Sudeste asiático registraram infecções. Em Bangladesh, há infecções todos os anos; recentemente, regiões como Bengala Ocidental e Kerala, na Índia, acenderam um alerta nacional. Outros países infectados incluem Singapura, Tailândia e até Austrália.

Quais são as formas de contágio e transmissão do vírus Nipah?

Homem tossindo. Imagem: Towfiqu barbhuiya/Unsplash

O vírus Nipah chegou aos humanos devido ao consumo de comida contaminada pelo patógeno, mas também pela proximidade de fazendas dentro do território de morcegos do gênero Pteropus.

Como mencionado anteriormente, os morcegos Pteropus são hospedeiros naturais do vírus. Durante sua rotina de alimentação, os bichinhos podem lamber e/ou urinar em diferentes superfícies, o que solta partículas do patógeno, favorecendo a transmissão. Desta forma, árvores, plantas pequenas, seiva, e frutos são facilmente contaminados pelo vírus.

Uma vez que estes lugares são contaminados, a transmissão viral pode ocorrer por diferentes formas:

Uma vez que um ser humano está infectado pelo vírus, o contágio ocorre pelas seguintes formas:

Após a infecção, o vírus entra em encubação, o que pode durar de 4 a 14 dias. Dentre desse período, é possível carregar o vírus e ainda estar assintomático, o que dificulta a detecção precoce.

Leia mais:

Quais os sintomas, sequelas e métodos de prevenção contra o vírus Nipah?

Mulher jovem sofre de dor de cabeça contra um fundo escuro. / Crédito: Artem Furman (Shutterstock)

De início, os sintomas comuns são semelhantes aos de uma gripe convencional:

Conforme o vírus progride, contudo, os sintomas passam a ficar mais acentuados. Outros quadros graves de saúde também acometem o corpo com o tempo, variando entre:

No estágio mais grave, a infecção leva à morte.

Em alguns casos, quem sobreviveu a estágios agudos do vírus pode apresentar sequelas neurológicas persistentes, como convulsões.

No quesito prevenção, é crucial evitar o contato direto com morcegos do gênero Pteropus e com humanos infectados. Além disso, após tocar/manusear porcos e outros animais, é essencial lavar bem as mãos com sabão e água corrente, e evitar tocar no rosto, boca, olhos e nariz. Outra forma eficaz de prevenção é higienizar, corretamente, todo tipo de produto que outrora tenha sido a fonte de alimentação de morcegos, como frutas e vegetais, e procurar por sinais de mordida antes de consumir uma fruta.

Como o vírus Nipah é diagnosticado no corpo humano? Entenda como funciona o tratamento

Cientista usando microscópio em laboratório. Close-up das mãos de um pesquisador ajustando um microscópio moderno em ambiente de laboratório. Conceito de ciência / Crédito: Volha_R (Shutterstock)

Como supracitado, os sintomas iniciais do vírus são similares aos de uma gripe convencional, de maneira que o paciente e os médicos não suspeitam que seja algo pior.

No caso de você estar numa região onde a infecção é comum, o que pode ajudar o médico no diagnóstico correto é explicar se você teve ou não contato direto com morcegos do gênero Pteropus, se é fazendeiro ou passou algum tempo em uma fazenda, se mora em regiões mais afastadas e próximas de árvores frutíferas, ou se veio de uma região onde ocorre um surto viral do Nipah atualmente.

Baseado nisso, o médico investiga o histórico epidemiológico e cruza as informações com os sintomas.

Se necessário, exames laboratoriais serão exigidos para confirmar a presença do Nipah no seu organismo. Nesse caso, os exames mais comuns são:

Atualmente, não há remédio ou vacina que trate diretamente o vírus Nipah. O que os profissionais da saúde podem fazer é medicar os sintomas apresentados, tratar outras doenças que possam aparecer, e aguardar a melhora do paciente conforme é observado por uma equipe médica.

O vírus Nipah pode chegar ao Brasil?

Morcegos são os únicos mamíferos que voam via Ishan/Unsplash

Atualmente, não há casos registrados de infecção por vírus Nipah no Brasil. O principal motivo para isso é porque os morcegos frugívoros que vivem aqui não carregam o vírus em seu organismo; para além disso, não temos morcegos do gênero Pteropus no Brasil.

Se a infecção tivesse de chegar até aqui, seria primariamente por dois motivos:

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