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Casal é preso por fraudar venda de armas e fornecer dados ao PCC

Casal é preso por fraudar venda de armas e fornecer dados ao PCC

Uma operação conjunta das polícias civis de São Paulo e do Espírito Santo resultou na prisão de um casal suspeito de integrar um esquema criminoso voltado à aplicação de golpes pela internet, utilizando sites falsos de comercialização de armas de fogo. A ação ocorreu na manhã desta terça-feira (20), no bairro Vista da Serra II, no município da Serra, na Grande Vitória.

Conforme as investigações, os suspeitos, Homero Vieira de Almeida e Mayra dos Santos Silva, seriam responsáveis não apenas pelas fraudes online, mas também pelo repasse de informações pessoais das vítimas a integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC).

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O grupo tinha como principais alvos policiais, colecionadores, atiradores esportivos e empresas ligadas ao setor armamentista, explorando a confiança desse público para viabilizar os crimes.

Golpes eram aplicados exclusivamente pela internet

A Polícia Civil aponta que o esquema funcionava exclusivamente no ambiente digital, com páginas falsas criadas para simular vendas legais de armamentos. Após o contato e a negociação, os dados das vítimas eram coletados e utilizados de forma criminosa.

Um dos detidos já havia sido preso em 2024 por envolvimento com organização criminosa e permaneceu cerca de dez meses no sistema prisional. No ano seguinte, passou a cumprir medidas cautelares com uso de tornozeleira eletrônica, mas, segundo a polícia, voltou a praticar os delitos, agora com o apoio da companheira, que já tinha sido denunciada anteriormente pelo Ministério Público.

Além do casal preso, um terceiro suspeito era alvo da operação, mas não foi localizado. As autoridades seguem investigando a possível participação de outros envolvidos e o alcance total do esquema criminoso.

Informações serviam para fraudes bancárias e outros crimes

De acordo com as investigações conduzidas pelo Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa (DEHPP), delegado Fabrício Dutra, o esquema criminoso envolvia a criação de páginas falsas na internet que simulavam a venda legal de armas de fogo.

Os sites exibiam anúncios de armamentos de marcas renomadas, com preços significativamente mais baixos que os praticados no mercado, estratégia utilizada para atrair potenciais compradores.

Após o primeiro contato, as vítimas eram induzidas a encaminhar documentos pessoais e profissionais, sob o pretexto de finalizar a negociação ou cumprir exigências legais para registro do armamento. No entanto, segundo a polícia, os produtos anunciados nunca existiram, caracterizando o golpe.

Além do prejuízo financeiro causado aos compradores, o casal investigado também repassava os dados sensíveis obtidos, como documentos de identidade, comprovantes de endereço e registros funcionais, a integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), com atuação em São Paulo.

As informações, segundo a polícia, eram usadas de diversas formas. “Os usos dos documentos eram diversos, seja para cometer outros crimes, como fraudes bancárias e empréstimos, e em tentativas de acesso a sistemas restritos, como o sistema da polícia”, apontou a delegada da Polícia Civil de São Paulo, Gabriela Enne.

Casal suspeito (Foto: Divulgação/PCES)

Golpe fez vítimas em quatro estados brasileiros

As autoridades confirmaram que o esquema criminoso fez vítimas em ao menos quatro estados: Espírito Santo, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. As apurações tiveram início após a denúncia apresentada por um representante de uma empresa sediada em São Paulo, que relatou ter sido enganado pela falsa venda de armamentos.

Com base nas informações repassadas, o setor de inteligência da Polícia Civil paulista passou a acompanhar as movimentações do grupo e, em seguida, solicitou apoio da Polícia Civil do Espírito Santo para aprofundar as investigações e executar a operação.

Durante a ação policial, foram cumpridos mandados de busca e apreensão e ordens de prisão em diferentes regiões do município da Serra, incluindo os bairros Feu Rosa, Vista da Serra II e o Residencial Centro da Serra. A ofensiva mobilizou 26 policiais civis, sendo cinco de São Paulo e 21 do Espírito Santo.

“É um duro golpe contra o estelionato e um recado claro de que organizações criminosas não vão se estabelecer no Espírito Santo”, afirmou o delegado Fabrício Dutra.

Os equipamentos recolhidos na operação passarão por perícia técnica para auxiliar na produção de provas. As investigações seguem em andamento, já que a polícia trabalha com a hipótese de que outras pessoas façam parte do esquema criminoso e possam ter participação direta ou indireta nos golpes.

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