Uma estrutura rústica conhecida como “casa caída” entrou no radar das buscas pelos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4 anos, desaparecidos há quase duas semanas no interior do Maranhão. O local foi indicado por cães farejadores como um possível ponto de passagem das crianças.
O abrigo improvisado é feito de barro, troncos de madeira e cobertura de palha e está situado no povoado São Raimundo, na zona rural de Bacabal. Segundo o Corpo de Bombeiros do Maranhão, a construção fica a cerca de 3,5 quilômetros em linha reta da comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, onde ocorreu o desaparecimento.
Vídeo detalha operação de busca por crianças em Bacabal; veja
Apesar da curta distância aérea, as equipes explicam que o trajeto real pode chegar a 12 quilômetros, devido à presença de matas fechadas, trilhas irregulares, lagoas e outros obstáculos naturais. A “casa caída” está localizada às margens do rio Mearim e pode ser utilizada como ponto de apoio por pescadores da região.
No interior da estrutura, os socorristas encontraram um colchão, um banco e pares de botas, elementos que agora fazem parte da investigação e reforçam a importância do local nas buscas pelas crianças.
Menino descreve abrigo após ser encontrado em Bacabal
O local apontado nas buscas foi descrito por Anderson Kauã, de 8 anos, após ele ser localizado no último 7 de janeiro. Em depoimento à equipe multiprofissional do Instituto de Perícias para Crianças e Adolescentes (IPCA), que acompanha o caso, o menino relatou que esteve no abrigo junto com os primos antes de se separar deles.
Segundo Anderson, ele teria deixado Ágatha Isabelly e Allan Michael na estrutura improvisada enquanto saiu à procura de ajuda. O garoto contou ainda que o grupo passou ao menos uma noite no local, situado a aproximadamente 500 metros do ponto onde ele foi encontrado.
De acordo com o Corpo de Bombeiros, a área onde fica o abrigo não é isolada e possui outras quatro construções nas proximidades, incluindo a residência de um morador local e a casa do carroceiro responsável por encontrar Anderson, informações que agora integram o mapeamento das buscas e das investigações.
“Ali nós apostamos como ponto inicial de informações concretas por onde as três crianças teriam passado, ou melhor, teriam passado uma noite. Mostramos fotografias que foram confirmadas e reafirmadas várias vezes pelo Kauã”, disse o secretário de Segurança Pública, Maurício Martins.
Cães farejadores identificam apenas vestígios das crianças
De acordo com o secretário de Segurança Pública do Maranhão, Maurício Martins, as buscas não identificaram indícios da participação de terceiros. Segundo ele, os cães farejadores localizaram apenas vestígios relacionados às crianças, sem sinais da presença de outras pessoas no trajeto analisado.
O secretário explicou que as construções existentes na região são utilizadas principalmente para atividades de plantio e pesca, e que seus proprietários possuem residência fixa em Bacabal. Até o momento, a investigação não informou se essas pessoas serão chamadas para depor ou incluídas formalmente no inquérito.
Durante as diligências, os cães chegaram a descer uma ribanceira e circular por áreas próximas a um lago, mas nenhum novo indício relevante foi encontrado. Com isso, as equipes de busca decidiram ampliar a área de atuação, estendendo os trabalhos para um perímetro mais abrangente na tentativa de localizar as crianças.
“Os cães farejadores identificaram a presença das três crianças, inclusive como o Kauã descreveu, indicando quem entrou por qual lado da casa. Os três estiveram lá”, disse o secretário.
Buscas pelos irmãos chegam ao 13º dia
As buscas pelos irmãos desaparecidos em Bacabal (MA) chegaram ao 13º dia nesta sexta-feira (16), mobilizando uma grande força-tarefa. Mais de 500 pessoas, entre integrantes das forças de segurança e voluntários, seguem atuando de forma ininterrupta na tentativa de localizar as crianças.
As equipes concentram os trabalhos em trilhas, caminhos e veredas nas proximidades do povoado, mapeando áreas que podem ter sido utilizadas pelos irmãos durante o deslocamento. O esforço inclui varreduras em regiões de difícil acesso, com apoio terrestre e especializado.
A operação ganhou reforço interestadual na quarta-feira (14), com a chegada de sete bombeiros do Pará, acompanhados de dois cães farejadores. Também desembarcaram cinco bombeiros do Ceará, que trouxeram mais quatro cães treinados para auxiliar nas buscas.
Durante o deslocamento da equipe cearense, a operação foi marcada por uma perda: na madrugada de quinta-feira (15), a cadela farejadora Iara, que integraria a força-tarefa, morreu a caminho do Maranhão, gerando comoção entre os profissionais envolvidos no resgate.
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