Os adolescentes investigados pela morte do cão comunitário Orelha, em Florianópolis, também são suspeitos de envolvimento em uma série de outros atos infracionais ocorridos ao longo do mês de janeiro em Santa Catarina. As informações foram confirmadas pelo delegado-geral da Polícia Civil do Estado, Ulisses Gabriel.
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Segundo a polícia, além das agressões que levaram à morte do animal, os jovens teriam agredido outro cachorro, causado danos a um quiosque na praia, furtado bebidas e detonado uma bomba em uma residência. Os episódios teriam ocorrido entre os dias 4 e 16 de janeiro.
“Instauramos um inquérito inicialmente para apurar as agressões ao cachorro Orelha. No decorrer da investigação, constatamos um conjunto de atos infracionais praticados nesse período”, afirmou o delegado em entrevista ao programa Pânico, da Jovem Pan.
De acordo com Gabriel, o segundo animal agredido, um cachorro chamado Caramelo, sobreviveu e acabou sendo adotado pelo próprio delegado-geral.
Investigação por coação
Além dos atos infracionais atribuídos aos adolescentes, a Polícia Civil abriu um segundo inquérito para apurar coação no curso do processo.
Segundo a investigação, dois pais e um tio de adolescentes suspeitos teriam intimidado um vigilante de um prédio próximo ao local onde os jovens moram.
O vigilante teria identificado os adolescentes após registrar reiteradas condutas suspeitas e compartilhar uma imagem em um grupo profissional para saber quem eram os envolvidos.
Ainda de acordo com o delegado, o tio de um dos jovens teria abordado o trabalhador e insinuado que estaria armado, o que motivou um pedido de busca e apreensão em sua residência.
Posicionamento da defesa
Em nota, a defesa dos adolescentes afirmou que os jovens e suas famílias estão colaborando com as autoridades e que as investigações irão comprovar a inocência dos envolvidos. Os advogados também reforçaram a necessidade de respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Na quarta-feira (28), a Justiça concedeu uma liminar determinando que plataformas digitais como Instagram, Facebook, WhatsApp e TikTok removam postagens com dados pessoais dos investigados, por violarem direitos previstos no ECA.
Morte do cão Orelha
Orelha tinha 10 anos e vivia como cão comunitário na região da Praia Brava, na capital catarinense. Ele foi encontrado gravemente ferido e morreu durante atendimento veterinário.
As investigações apontam que ao menos quatro adolescentes participaram das agressões, muitas delas concentradas na cabeça do animal, com intenção de causar a morte.
A polícia também apura se o mesmo grupo tentou afogar outro cachorro comunitário no início do mês.
Até o momento, ninguém foi preso. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos, e celulares e notebooks recolhidos serão submetidos à perícia.
O caso é acompanhado pelo Ministério Público de Santa Catarina, por meio das Promotorias da Infância e Juventude e do Meio Ambiente.
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