O delegado Artur Afonso Nobre de Araújo Sobrinho, de 36 anos, é investigado por um esquema de corrupção na Polícia Civil do Pará. O caso foi revelado pelo Fantástico, da TV Globo, exibido neste domingo (11).
Artur é acusado de chefiar uma rede de extorsão que atuava desde 2021, cobrando propina de suspeitos em troca de benefícios ilegais, como relaxamento de prisão e arquivamento de inquéritos.
Segundo o Ministério Público do Pará, o esquema envolvia policiais civis, o então diretor metropolitano da corporação, Carlos Daniel Fernandes de Castro, além do promotor Luiz Márcio Teixeira Cipriano, responsável por validar os acordos ilegais. Um juiz do Tribunal de Justiça do Pará, Jackson José Sodré Ferraz, também é investigado.
Atropelamento motivou a denúncia
O caso teve como ponto de partida um atropelamento ocorrido em janeiro de 2024. O delegado assumiu a investigação depois de enviar o vídeo do acidente ao promotor, que solicitou oficialmente a abertura do inquérito.
Na sequência, familiares do motorista relataram a cobrança de R$ 25 mil para aliviar a situação do investigado.
Mensagens revelam extorsão explícita
Mensagens obtidas pela investigação mostram que os valores de propina eram tratados de forma aberta entre os integrantes do grupo.
O delegado discutia quanto cada suspeito deveria pagar e avisava o superior imediato antes de realizar as extorsões.
Em uma das conversas, após um dia de trabalho, surge a frase que deu dimensão nacional, “Cansado, mas a fim de roubar”.
Transferências estratégicas e arrecadação
A apuração aponta que mudanças estratégicas de delegacia eram vistas como oportunidade para ampliar a arrecadação ilegal. Em uma das mensagens, um policial afirma que a transferência permitiria “ficar bem sem bronca”, com todos “felizes”.
Influenciadores no esquema
Além do atropelamento, a reportagem citou a Operação Truque de Mestre, deflagrada em 2023 contra influenciadores digitais suspeitos de promover jogos de azar.
Segundo os investigadores, uma das alvos pagou propina para evitar a prisão preventiva. Advogados e intermediários também aparecem nas trocas de mensagens analisadas pelo Ministério Público.
Investigados afastados e apuração em andamento
Artur Nobre foi afastado do cargo, mas continua recebendo salário de cerca de R$28 mil. Ele já foi preso três vezes, responde em liberdade e nega as acusações.
Os demais investigados também negam irregularidades e afirmam que irão se manifestar nos autos.
As investigações seguem em andamento no Ministério Público e no Tribunal de Justiça do Pará.
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