Buscas por irmãos Ágatha Isabelly e Allan Michael, desaparecidos desde o dia 4 de janeiro no povoado São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal, no Maranhão, completaram 25 dias sem qualquer vestígio concreto. As crianças foram vistas pela última vez na comunidade quilombola onde moravam.
Mesmo após varreduras minuciosas em áreas de mata fechada, rios e lagos da região, nenhuma pista nova foi encontrada. Cães farejadores chegaram a identificar cheiro compatível com o dos irmãos na outra margem do Rio Mearim, mas o trabalho não avançou para novas descobertas.
Diante da falta de indícios, a força-tarefa montada para as buscas teve suas ações reduzidas. Em contrapartida, a investigação policial foi intensificada e passou a conduzir os trabalhos de forma mais direcionada.
Segundo o delegado-geral adjunto operacional da Polícia Civil do Maranhão, Ederson Martins, nenhuma linha de investigação é descartada. No entanto, a principal hipótese segue sendo a de que as crianças tenham se perdido na mata. “Enquanto não tiver localização de mais indícios, tudo pode ter acontecido”, afirmou o delegado.
A Polícia Civil de São Paulo também descartou uma denúncia que apontava que duas crianças vistas em um hotel no Centro da capital paulista seriam os irmãos desaparecidos. Equipes estiveram no local e confirmaram que não se tratava de Ágatha e Allan.
Buscas por irmãos desaparecidos
Nos primeiros 20 dias, a força-tarefa percorreu mais de 200 quilômetros em operações por terra e por água, incluindo regiões de difícil acesso. A Marinha realizou buscas ao longo de 19 quilômetros do Rio Mearim, com cinco quilômetros vasculhados de forma minuciosa, incluindo operações subaquáticas.
As equipes utilizaram equipamento de side scan sonar para mapeamento de áreas submersas, mas nenhum vestígio relacionado ao desaparecimento foi encontrado. Mais de mil pessoas participaram das ações, entre agentes das forças de segurança estaduais e federais, além de voluntários.
Atuaram no local investigadores da Polícia Civil, agentes da Força Estadual Integrada de Segurança Pública, Centro Tático Aéreo, Batalhão de Choque da Polícia Militar, Exército Brasileiro e Corpo de Bombeiros Militar.
Na última sexta-feira (23), após a conclusão da varredura completa das áreas inicialmente mapeadas, as buscas entraram em uma nova fase, com foco maior na investigação policial. Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Maranhão, as equipes seguem em prontidão para retomar buscas específicas caso surjam novos indícios.
Investigação e boatos descartados
Uma comissão especial formada por dois delegados de São Luís e uma delegada de Bacabal conduz o inquérito, que já ultrapassa 200 páginas. A Polícia Civil desmentiu boatos que circularam nas redes sociais envolvendo supostas movimentações financeiras e a responsabilização da mãe e do padrasto das crianças.
De acordo com as autoridades, todos os depoimentos colhidos até o momento foram na condição de testemunhas. O delegado Ederson Martins alertou que informações falsas têm colocado em risco a segurança dos familiares das crianças.
Protocolo Amber Alert
A força-tarefa também adotou o Protocolo Amber Alert, um sistema internacional de alerta para casos de desaparecimento de crianças. O mecanismo emite notificações emergenciais por meio de plataformas como Facebook e Instagram, em um raio de até 200 quilômetros do local do desaparecimento.
O alerta é ativado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública e permanece visível no feed de usuários da região, com informações como nome, características físicas e canais para envio de denúncias. O protocolo é utilizado de forma excepcional, quando há indícios de risco grave à vida da criança.
Relato do primo ajudou a reconstruir trajeto
Um primo das crianças, de 8 anos, que ficou desaparecido por cerca de três dias na mata, recebeu autorização judicial para colaborar com as buscas. Segundo o relato, o grupo saiu para buscar maracujá e decidiu entrar por outro caminho para não ser visto por um tio.
Um dos pontos citados foi a chamada “casa caída”, onde cães farejadores confirmaram a passagem das crianças. O local fica a cerca de 3,5 quilômetros em linha reta da comunidade, mas a distância percorrida pode ter chegado a aproximadamente 12 quilômetros, considerando obstáculos naturais como trilhas, lagoas e áreas de mata.
A partir desse ponto, o grupo teria se perdido. O menino afirmou que não havia adultos acompanhando o trajeto e que as crianças não encontraram alimentos durante o percurso.
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