Preso desde 22 de novembro de 2025 na Superintendência Regional da Polícia Federal, em Brasília, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) cumpre pena de 27 anos e três meses por liderar uma trama golpista. No mesmo local, há uma coincidência um tanto quanto irônica: na frente do prédio que está alocado há uma placa com o nome de Bolsonaro e a data em que a unidade da PF foi modernizada durante sua gestão.
Nos primeiros anos de governo, Bolsonaro investiu na infraestutura da PF. A Superintendência, onde está, hoje preso, foi modernizada e a inauguração das mudanças está registrada no local.
A placa de metal com a data da inauguração tem o brasão da República Federativa do Brasil no topo e inclui o nome de Bolsonaro e de seu ministro da Justiça à época, Anderson Torres, também condenado pelo STF por trama golpista. Veja os nomes que estão na placa:
“Presidente da República: Jair Messias Bolsonaro; Ministro da Justiça e Segurança Pública: Anderson Gustavo Torres; Diretor-Geral da Polícia Federal: Paulo Gustavo Maiurino; Diretor de Administração e Logística Policial: André Viana Andrade; Superintendente Regional: Márcio Nunes de Oliveira; Chefe do Setor de Administração e Logística Policial: Carlos Henrique da Silva Pereira”, diz a descrição da placa.
Situada no Setor de Áreas Isoladas Sul (Sais), na Quadra 7, Lote 23, a Superintendência da PF funciona como o “braço armado” e operacional do estado, além de abrigar detentos com grande relevância pública. Composta por alguns edifícios com salas que detém os aprisionados, o investimento de Bolsonaro modernizou a estrutura do local.
Fora Anderson Torres e Jair Bolsonaro, condenados no núcleo 1 da trama golpista, a lista conta com nomes de autoridades inclui Paulo Maiurino, que era o recém-nomeado diretor-geral e foi demitido do cargo, em 2022, mantendo apenas seu trabalho como servidor nos dias atuais. Além do então superintendente Márcio Nunes de Oliveira.
R$ 75 milhões
O Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal, onde Bolsonaro agora passou por exames, dentro do complexo onde está a Superintência, recebeu um investimento de R$ 75 milhões, entre 2020 e 2021, em prol de ampliar a sua capacidade de análises laboratoriais e possibilitar a capacitação de peritos criminais e de servidores das Forças de Segurança de todo o país.
Em um ambiente que divide a arborização e urbanização, com árvores, mangueiras e edifícios, a Superintendência possui um território extenso que pode abrigar detentos, cuidar de situações diplomáticas e migratórias, além de investigar crimes mais complexos do Distrito Federal.
Os edifícios contam com celas e a Salas de Estado Maior, onde o ex-presidente cumpre pena. A cela tem 12 metros quadrados e conta com frigobar, cama de solteiro, TV convencional, um banheiro próprio e um ar-condicionado.
Além disso, há delegacias especializadas na Superintendência. Nas unidades os delegados investigam crimes fazendários, tráfico de drogas e crimes contra o patrimônio no âmbito do DF.
Rotina de Bolsonaro
A rotina sob custódia do ex-presidente inclui o recebimento de refeições particulares, enviadas por Michelle Bolsonaro, atendimento médico por profissionais da PF, banhos de sol de até duas horas e visitas de parentes e advogados.
Bolsonaro ficou internado no hospital DF Star após apresentar problemas de saúde. Ele foi submetido à cirurgia de correção de hérnia inguinal bilateral em 25 de dezembro e teve alta no dia 1º, com médicos particulares indicando a recomendação de supervisão do ex-chefe de estado.
Recentemente, Bolsonaro precisou novamente ir à instituição de saúde após sofrer uma queda durante a madrugada e bater a cabeça em um móvel, na cela da PF. Ele retornou para a superintendêncina última quarta-feira (7/1), após realizar uma série de exames no hospital DF Star, em Brasília.

