A humanidade vive um paradoxo histórico. Nunca se produziu tanto conhecimento científico sobre a natureza, os ecossistemas e os impactos da ação humana, e, ao mesmo tempo, nunca se destruiu tanto o meio ambiente em escala global. Florestas são derrubadas, rios contaminados, espécies extintas e o clima alterado por um modelo de desenvolvimento que insiste em tratar os recursos naturais como infinitos — quando, na verdade, são finitos e frágeis.
Há uma verdade incontestável que precisa ser repetida até que se torne consciência coletiva: o ser humano não vive sem o meio ambiente, mas o meio ambiente vive perfeitamente sem o ser humano. Basta observar áreas antes degradadas e depois abandonadas pela ação humana para constatar como a natureza se reorganiza, se recompõe e floresce. O planeta não está em risco; quem está em risco é a nossa permanência nele.

Educar é preparar gerações para fazer escolhas mais conscientes do que as que têm sido feitas até agora/Foto: Inteligência Artificial
Diante desse cenário, torna-se urgente questionar o papel dos governos, das instituições e, sobretudo, da educação. Fala-se muito em sustentabilidade, preservação e responsabilidade ambiental, mas pouco se faz de forma estruturada e contínua. O discurso, quando não acompanhado de políticas públicas eficazes, transforma-se apenas em retórica vazia.
Uma das medidas mais estratégicas e transformadoras seria tornar obrigatória, em toda a educação básica, uma disciplina específica e permanente sobre meio ambiente. Não como um tema transversal diluído entre outras matérias, mas como um componente curricular autônomo, com conteúdo técnico, científico e ético. Uma disciplina que ensine, desde cedo, o valor da água, da floresta, do solo, da biodiversidade e das consequências reais da degradação ambiental para a saúde, a economia e a própria sobrevivência humana.
Da mesma forma, é imprescindível que a escola enfrente, com seriedade e responsabilidade, pautas sociais igualmente urgentes, como a prevenção da gravidez precoce, a educação sexual, o planejamento familiar e o respeito ao próprio corpo. A omissão nesses temas não protege ninguém; ao contrário, perpetua ciclos de vulnerabilidade, evasão escolar e desigualdade social.
Educar é prevenir. Educar é cuidar. Educar é preparar gerações para fazer escolhas mais conscientes do que as que têm sido feitas até agora. Uma sociedade que investe em educação ambiental e social não apenas protege a natureza, mas protege seu futuro econômico, sua saúde pública e sua dignidade humana.
As gerações futuras julgarão as decisões tomadas hoje. Julgarão se tivemos coragem de ir além do imediatismo, dos interesses políticos de curto prazo e da exploração predatória. Julgarão se fomos capazes de entender que desenvolvimento não pode significar destruição, e que progresso verdadeiro só existe quando há equilíbrio entre o ser humano e o planeta que o abriga.
Ainda há tempo. Mas o tempo não é infinito. E a natureza já vem respondendo, com eventos extremos e desequilíbrios cada vez mais frequentes, aos abusos cometidos contra ela. Cabe aos governantes transformar discursos em ações, e à sociedade exigir políticas públicas que eduquem, previnam e preservem.
Porque, ao fim, a pergunta não é se o planeta sobreviverá sem nós. Ele sobreviverá. A pergunta é se nós seremos capazes de sobreviver sem mudar.