As formigas cirurgiãs que realizam operações em outras companheiras para salvar vidas no formigueiro

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Biólogos observaram formigas realizando amputações complexas em membros machucados de outras operárias para evitar infecções fatais. Essa estratégia médica surpreendente garante a sobrevivência e a funcionalidade da colônia de maneira coordenada.

O processo de diagnóstico e intervenção cirúrgica

Um estudo publicado na revista Current Biology detalha como a espécie Camponotus floridanus consegue identificar ferimentos graves e decidir pela remoção completa de um membro. O comportamento é cirúrgico: as formigas utilizam suas mandíbulas para cortar a perna ferida da companheira, impedindo que patógenos se espalhem pelo corpo do inseto.

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    Avaliação inicial

    As formigas operárias analisam o local da lesão para determinar o risco de infecção sistêmica.

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    Assepsia bucal

    A “cirurgiã” utiliza sua boca para lamber e limpar exaustivamente a ferida antes de qualquer corte.

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    Amputação

    Caso a lesão seja no fêmur, a perna é removida em um processo que dura alguns minutos.

As formigas cirurgiãs que realizam operações em outras companheiras para salvar vidas no formigueiro
Cirurgia entre formigas aumenta a taxa de sobrevivência das operárias – (Imagem gerada por inteligência artificial-ChatGPT/Olhar Digital)

Critérios para a escolha entre cirurgia e limpeza

O que mais impressionou os pesquisadores foi a seletividade do tratamento. Nem todo ferimento resulta em amputação. A decisão parece basear-se na velocidade do fluxo da hemolinfa (o “sangue” dos insetos), que dita quão rápido uma infecção pode chegar ao corpo central.

  • Lesões no fêmur: Como o fluxo é mais lento nessa região, a amputação é realizada com sucesso para salvar o indivíduo.
  • Lesões na tíbia: O fluxo rápido torna a amputação ineficaz, então as formigas focam apenas na limpeza intensa da ferida.
  • Taxa de sucesso: Indivíduos tratados apresentam uma sobrevida significativamente maior do que aqueles deixados sem assistência.

Os dados coletados mostram que a intervenção médica não é um comportamento aleatório, mas uma adaptação evolutiva extremamente eficiente para manter a força de trabalho da colônia ativa e saudável.

As formigas cirurgiãs que realizam operações em outras companheiras para salvar vidas no formigueiro
Insetos demonstram comportamento médico avançado ao tratar ferimentos graves – (Imagem gerada por inteligência artificial-ChatGPT/Olhar Digital)

A importância da cooperação para a saúde do grupo

Este nível de cuidado médico individual em uma sociedade de insetos revela uma complexidade social raramente vista. As formigas-carpinteiras não apenas reconhecem o sofrimento de suas semelhantes, mas possuem um protocolo de “primeiros socorros” que rivaliza com práticas de higiene observadas em vertebrados superiores.

Essa organização reduz o impacto de patógenos no ambiente fechado do formigueiro. Ao salvar uma operária, a colônia preserva recursos e energia, demonstrando que a medicina é uma ferramenta vital para a prosperidade da espécie.

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