Siga o Olhar Digital no Google Discover
Falta pouco para um dos lançamentos espaciais mais importantes dos últimos 50 anos. Neste sábado (17), o megafoguete da missão Artemis 2 da NASA começará sua lenta e solene jornada de 6,4 quilômetros até a plataforma de lançamento, marcando o início físico da contagem regressiva para o retorno da humanidade à Lua (ou quase).
A viagem do Sistema de Lançamento Espacial (SLS) e da cápsula Orion, do Edifício de Montagem de Veículos até a Plataforma 39B no Centro Espacial Kennedy, na Flórida, levará entre 8 e 10 horas. Uma vez posicionado, o conjunto será conectado aos sistemas de abastecimento e suporte vital, preparando o terreno para a etapa crítica seguinte. As informações foram reveladas pela NASA em uma coletiva de imprensa na tarde desta sexta-feira (16).
A data do lançamento histórico, atualmente prevista para uma janela que se abre em 6 de fevereiro, dependerá do sucesso de um teste crucial. Conforme anunciado pelo diretor de lançamento Charlie Blackwell-Thompson, um “ensaio geral com combustível” está agendado para 2 de fevereiro. Este teste simulará todo o processo de abastecimento do foguete sem de fato decolar, sendo a última grande verificação de sistemas antes da tentativa real.
“Eu diria que realmente não há nada melhor do que isso”, declarou John Honeycutt, presidente da equipe de gerenciamento da Artemis II, sobre o momento. “Isso é fazer história.”

Testes finais antes do lançamento da Artemis 2
Após o teste de abastecimento, a NASA realizará uma série final de verificações no SLS e na Orion, incluindo um ensaio com os quatro astronautas da missão — os primeiros a viajar até a vizinhança lunar desde 1972. O desempenho do foguete durante o ensaio com combustível será o fator determinante para que a administração dê o “aval final” para a janela de lançamento de 6 a 10 de fevereiro.
Leia mais:
- NASA garante que emergência médica na Estação Espacial não muda cronograma da volta à Lua
- NASA garante: vai construir usina nuclear na Lua até 2030
- Como é viver na Estação Espacial Internacional?
O deslocamento lento do gigante de 98 metros de altura é mais do que um procedimento logístico; é um ritual que sinaliza a transição de anos de desenvolvimento e montagem para a fase operacional final. Cada minuto das próximas semanas será dedicado a garantir que a complexa coreografia do retorno à Lua comece com segurança e precisão, carregando as esperanças de uma nova era de exploração espacial tripulada.
O programa Artemis
Em linhas gerais, o programa Artemis visa estabelecer a presença humana na Lua novamente, mais de 50 anos depois da última missão lunar tripulada da história. O pontapé inicial foi dado com a Artemis 1, que ocorreu no final de 2022, e colocou a cápsula Orion e o foguete Space Launch System juntos pela primeira vez, levando a capsula para a órbita da Lua.
Após mais de dez anos desde que começou a ser desenvolvido, o SLS foi lançado rumo à Lua no dia 16 de novembro de 2022. O principal objetivo desse voo não tripulado foi testar tecnologias essenciais para todas as outras missões do Programa Artemis, como o foguete e a cápsula em si, além dos sistemas de comunicação e de suporte de vida.
Já a Artemis 2 contará uma tripulação a bordo e ajudará a testar os sistemas centrados no ser humano, como suporte de vida, comunicações e controles de voo. Participarão da missão os astronautas Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch (NASA) e Jeremy Hansen (Agência Espacial Canadense). Apesar de chegar perto, ela ainda não pousará na Lua porque muitos dos sistemas de hardware e software, manobras e procedimentos envolvidos nas futuras missões lunares planejadas pela NASA nunca foram testados antes.
A missão preparará o caminho para a Artemis 3, que tem o objetivo de realizar um pouso na superfície lunar. Esta última etapa está programada para 2027 e marcaria a efetiva volta da humanidade ao satélite natural do nosso planeta.