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Tudo sobre Artemis
Em edição especial dedicada ao retorno da humanidade à Lua, o programa Olhar Espacial recebeu, nesta sexta-feira (16), o renomado astrofotógrafo Conrado Serodio para um bate-papo aprofundado sobre a missão Artemis 2 e o significado da missão que deve acontecer já em fevereiro.
Durante a conversa, Serodio destacou que, embora muito já tenha sido descoberto, a Lua ainda guarda segredos fundamentais para a compreensão do nosso próprio planeta e do Sistema Solar. “Quer dizer, o homem avançou muito no conhecimento da Lua, mas tem muito mais para descobrir. […] Entender a Lua é entender a formação do Sistema Solar e assim de tudo aquilo que nos rodeia”, ponderou o especialista.
Artemis x Apollo
Um dos pontos centrais do debate foi a diferença de propósito entre o programa Artemis e as missões Apollo. Enquanto a era Apollo tinha um caráter mais simbólico e de curta duração, o novo programa visa uma presença sustentada. “Quando a gente estava falando da Apollo, a ideia era basicamente chegar lá, tacar uma bandeira na Lua, pegar umas amostras e voltar para casa, né? Agora a ideia é chegar lá e ficar”, explicou Serodio.

Adiamentos da Artemis podem ser um problema?
Os reiterados adiamentos da Artemis 2 também foram tema. Serodio analisou que os atrasos refletem a complexidade natural de um empreendimento desta magnitude, envolvendo não apenas desafios técnicos, mas também questões de financiamento e coordenação. “Artemis […] veio sendo adiada primeiro por problemas técnicos, depois por problema de janela, mas a gente sabe também que é a questão do financiamento, do investimento de todo esse programa”, comentou.
O programa detalhou os objetivos da missão Artemis 2, que repetirá o trajeto da Artemis 1, mas de forma tripulada. A bordo da cápsula Orion, os astronautas testarão os sistemas de suporte de vida, comunicações e controles de voo, além de realizar manobras sob comando humano, marcando um passo crucial para as futuras missões de pouso.
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Artemis 2: o que esperar da missão?
Em linhas gerais, o programa Artemis visa estabelecer a presença humana na Lua novamente, mais de 50 anos depois da última missão lunar tripulada da história. O pontapé inicial foi dado com a Artemis 1, que ocorreu no final de 2022, e colocou a cápsula Orion e o foguete Space Launch System juntos pela primeira vez, levando a capsula para a órbita da Lua.
Após mais de dez anos desde que começou a ser desenvolvido, o SLS foi lançado rumo à Lua no dia 16 de novembro de 2022. O principal objetivo desse voo não tripulado foi testar tecnologias essenciais para todas as outras missões do Programa Artemis, como o foguete e a cápsula em si, além dos sistemas de comunicação e de suporte de vida.

Já a Artemis 2 contará uma tripulação a bordo e ajudará a testar os sistemas centrados no ser humano, como suporte de vida, comunicações e controles de voo. Participarão da missão os astronautas Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch (NASA) e Jeremy Hansen (Agência Espacial Canadense). Apesar de chegar perto, ela ainda não pousará na Lua porque muitos dos sistemas de hardware e software, manobras e procedimentos envolvidos nas futuras missões lunares planejadas pela NASA nunca foram testados antes.
A missão preparará o caminho para a Artemis 3, que tem o objetivo de realizar um pouso na superfície lunar. Esta última etapa está programada para 2027 e marcaria a efetiva volta da humanidade ao satélite natural do nosso planeta.
Sobre o entrevistado:
Conrado Serodio é engenheiro civil com extensão em Astronomia e Geodésia, e se dedicou à astrofotografia amadora de alta resolução, com foco especial na Lua e nos planetas do Sistema Solar, aliando sua produção visual a estudos e pesquisas científicas.
