O padrasto dos irmãos desaparecidos em Bacabal, no interior do Maranhão, falou publicamente sobre a viagem para fora do estado realizada no mesmo dia do desaparecimento das crianças. Tal fato levantou suspeitas sobre seu possível envolvimento no caso. Márcio Silva afirma ser inocente e diz estar lidando com acusações falsas em meio à angústia da família.
Márcio deixou Bacabal no dia em que as crianças sumiram, com destino a São Luís, de onde seguiria de avião para Curitiba (PR). Segundo ele, a viagem tinha finalidade profissional, informação que, de acordo com a polícia, foi comprovada por meio de passagens e compromissos de trabalho.
Relato sobre o dia do desaparecimento
Em entrevista ao programa “Cidade Alerta”, Márcio contou onde estava quando soube que os enteados haviam desaparecido. Segundo ele, estava prestes a jantar com a mãe das crianças quando ela percebeu várias ligações e áudios perdidos da própria mãe.
“A gente ia jantar quando ela viu ligações perdidas da mãe dela. Depois disso a gente nem jantou mais. Fomos embora para o interior, mesmo chovendo. Quando a gente chegou, muita gente já estava à procura”, relatou.
O padrasto também levantou a hipótese de que as crianças possam ter sido levadas por terceiros. “Alguém levou, pode ter sido até a pé ou em alguma carroça. Estamos todos aflitos para saber por que levaram eles. A gente quer uma resposta”, afirmou.
Depoimento da criança encontrada
Márcio comentou ainda o depoimento de Anderson Kauã Barbosa Reis, primo das crianças, que também havia desaparecido e foi encontrado com vida. Segundo ele, o menino tem diagnóstico de autismo, o que, em sua avaliação, pode interferir na forma como relata os fatos.
“Sempre que alguém pergunta quem os levou para a mata, ele diz: ‘Não, ninguém levou a gente. A gente entrou só na mata’. Ele tem os problemas dele, ele é um menino autista”, declarou.
Relembre o caso
Os irmãos Ágatha Isabelle, de 6 anos, e Allan Michel, de 4, estão desaparecidos há dez dias. Eles foram vistos pela última vez no domingo (4), enquanto brincavam em uma área de mata no território quilombola São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal.
Anderson Kauã, de 8 anos, estava com os primos no momento do desaparecimento. Ele foi localizado com vida na quarta-feira (7), após 72 horas desaparecido, em uma área de mata no povoado Santa Rosa. O menino foi encontrado nu por produtores rurais que passavam pela região em uma carroça a caminho do trabalho.
Após o resgate, Anderson foi encaminhado ao Hospital Geral de Bacabal. Após exames, o governo do Maranhão descartou a possibilidade de abuso sexual.
Buscas continuam
As buscas pelos irmãos mobilizam uma força-tarefa com mais de 500 pessoas, incluindo voluntários, forças de segurança e militares do Exército Brasileiro. Durante as operações, voluntários encontraram peças de roupas infantis em áreas próximas, mas a polícia concluiu que não pertenciam às crianças desaparecidas.
O prefeito de Bacabal anunciou uma recompensa de R$ 20 mil para quem fornecer informações que levem ao paradeiro dos irmãos. Já o governador do Maranhão afirmou, nas redes sociais, que as buscas continuarão até um desfecho. “Não vamos parar”, declarou.
As investigações seguem para esclarecer a dinâmica do desaparecimento.
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