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Após anos em negação, por que a SpaceX resolveu entrar na bolsa só agora?

Após anos em negação, por que a SpaceX resolveu entrar na bolsa só agora?

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Tudo sobre Elon Musk

A SpaceX foi fundada por Elon Musk em 2002. Desde então, ela sempre foi privada – e executivos defendiam que a companhia aeroespacial só abriria suas ações na bolsa de valores quando conseguissem lançar missões para Marte regularmente (o que ainda não aconteceu). Mas isso está mudando.

Agora, a SpaceX está revisando essa posição histórica e entrou numa corrida em busca do IPO (Initial Public Offering ou Oferta Pública Inicial), sua primeira venda de ações ao público. E os motivos vão desde a inteligência artificial até as ambições pessoais de Musk.

Ao fundo, bandeira dos EUA; à frente, página da SpaceX em um smartphone
IPO é tratado como prioridade pela SpaceX (Imagem: FellowNeko/Shutterstock)

SpaceX acelera planos para entrar na bolsa de valores

A SpaceX se consolidou como uma das empresas privadas mais valiosas dos Estados Unidos justamente por operar fora das pressões do mercado acionário, o que lhe permitiu assumir riscos elevados no desenvolvimento de tecnologias espaciais.

No entanto, desde o final do ano passado, a empresa se prepara para realizar um IPO. Na prática, essa será a primeira vez que a companhia vai receber novos sócios por meio de uma oferta de ações ao mercado, se tornando uma empresa de capital aberto.

Conforme reportado pelo Olhar Digital, a ideia é que a abertura seja feita até ao final de 2026 para tentar obter US$ 30 bilhões (aproximadamente R$ 163 bilhões), com uma avaliação de mercado que gira em cerca de US$ 1,5 trilhão (por volta de R$ 8,1 trilhão).

Um dos grandes objetivos da empresa é desenvolver data centers no espaço (Imagem: Findaview/Shutterstock)

Inteligência artificial, data centers e as ambições pessoais de Elon Musk

Depois de mais de duas décadas como uma empresa privada, a SpaceX parece ter mudado de ideia. Segundo uma reportagem do The Wall Street Journal, os motivos para isso incluem desde inteligência artificial até as ambições de Elon Musk.

Isso porque a corrida da IA levou executivos, empresas e especialistas a defenderem a instalação de data centers no espaço. A ideia é usar energia solar para abastecer os centros de dados que alimentam a tecnologia, poupando energia, recursos e espaço físico na Terra. E apesar de enfrentar desafios práticos e técnicos, a proposta ganhou amplo apoio, incluindo de Sam Altman (CEO da OpenAI), Jeff Bezos (fundador da Amazon e da Blue Origin) e de Musk.

O problema é que o bilionário demais se animou com essa possibilidade. De acordo com fontes próximas à SpaceX que conversaram com o WSJ, Musk está focado em viabilizar os data centers no espaço e quer ser o primeiro a fazê-lo na prática. Para isso, no entanto, seria necessário levantar dezenas de bilhões de dólares rapidamente, algo difícil de alcançar apenas com capital privado.

Além do projeto espacial em si, o IPO da SpaceX também é visto como uma peça estratégica para fortalecer a xAI, empresa de inteligência artificial de Musk. A rivalidade com Altman é antiga e se intensificou à medida que a OpenAI também passou a cogitar a união entre IA e espaço. No ano passado, o CEO da desenvolvedora chegou a estudar a compra ou parceria com a Stoke Space, uma fabricante de foguetes, para lançar satélites com capacidade de processamento em órbita.

Tem também a rivalidade com as próprias desenvolvedoras de IA. OpenAI e Anthropic têm planos de entrar na bolsa de valores, e Musk quer que a SpaceX consiga o feito antes delas. Segundo as fontes próximas do bilionário, a empresa deve escolher em breve os bancos que liderarão a oferta pública, e o executivo já indicou a intenção de concluir o processo de abertura até julho.

Abertura de capital foi impulsionada (também) pelas ambições pessoais de Musk (Imagem: photosince/Shutterstock)

Vantagens para a xAI e desafios

Mesmo assim, há desafios. Para viabilizar esse projeto, a SpaceX precisa fazer o foguete Starship operar de forma confiável. O veículo, em testes há quase três anos, ainda não colocou cargas úteis operacionais em órbita.

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