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Vereador de Cruzeiro do Sul denuncia suposto favorecimento político em seletivo do DSEI Alto Rio Juruá

O vereador Tiago da Milênio levou à tribuna da Câmara de Cruzeiro do Sul, nesta terça-feira (2), um conjunto de denúncias envolvendo o processo seletivo do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Alto Rio Juruá. Segundo o parlamentar, relatos encaminhados ao Ministério Público apontam um suposto esquema de apadrinhamento político, favorecimento de familiares de autoridades locais e até suspeitas de desvio de combustível na instituição, responsável por atender comunidades indígenas de toda a região.

Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Alto Rio Juruá: Foto/Reprodução

Durante o pronunciamento, Tiago classificou o caso como “assunto de polícia” e cobrou providências urgentes. Ele acusou o coordenador do DSEI, Isaac Pianko, de atuar com discricionariedade indevida no processo seletivo, interferindo na contratação de profissionais qualificados para favorecer aliados políticos.

O vereador citou ainda a participação da coordenadora de Saúde Indígena no Vale do Juruá, Irani Uchoa Moura, responsável pela AGESUS, e do presidente do conselho, Auricélio Kaxinawá, que, segundo ele, deveria fiscalizar o setor, mas estaria omisso diante das irregularidades denunciadas.

Durante o pronunciamento, Tiago classificou o caso como “assunto de polícia” e cobrou providências urgentes: Foto/Reprodução

Um dos casos apresentados envolve a farmacêutica Artemisa da Silva Araújo, que teria sido aprovada em primeiro lugar no seletivo, com nota 14,84 de 20 pontos. Poucas horas após a divulgação do resultado, uma nova lista foi publicada afirmando que “não foram identificados candidatos que atendessem aos requisitos” para a vaga, o que, segundo o vereador, ocorreu depois que o gestor tomou conhecimento da classificação da candidata.

“Isso é um absurdo. O DSEI não é propriedade particular. Existem regras da administração pública que precisam ser respeitadas”, afirmou Tiago, destacando que a candidata já foi orientada a ingressar com mandado de segurança para assegurar seus direitos.

O parlamentar reforçou que diversos profissionais com formação superior e pós-graduação foram preteridos após a migração da empresa responsável pelos contratos do DSEI, enquanto contratações diretas estariam sendo feitas sem critérios técnicos claros. Segundo ele, o cenário evidencia clientelismo político e fere os princípios de impessoalidade, moralidade e eficiência previstos na Constituição.

“O gestor, que é indígena, deveria preservar e valorizar os profissionais indígenas capacitados, mas está contratando apenas aqueles que atendem seus interesses políticos. Isso é injustiça, é covardia”, disse.

Tiago afirmou que seguirá acompanhando a situação e reforçou que a população merece transparência na gestão de recursos públicos destinados à saúde indígena. “Como representantes do povo, temos o dever de tornar público o que chega até nós. A justiça precisa ser provocada. Cruzeiro do Sul merece respeito”, concluiu.

As denúncias já foram encaminhadas ao Ministério Público, que deve avaliar a abertura de investigação.

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