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Risco de “apagão” na internet expõe vulnerabilidades de cabos submarinos

Risco de “apagão” na internet expõe vulnerabilidades de cabos submarinos

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Tudo sobre China

Informações pessoais, dados de pagamento e até segredos de governo trafegam diariamente por cabos instalados no fundo do mar.

Considerados a espinha dorsal da globalização, esses cabos submarinos conectam países e continentes e concentram quase toda a comunicação digital do planeta. Mas, segundo especialistas e relatórios recentes, essa infraestrutura crítica está sob ameaça crescente de sabotagem, especialmente diante das tensões envolvendo China e Rússia.

cabo submarino no fundo do mar
Cabos submarinos são vitais para nossas comunicações (Imagem: Norimoto/Shutterstock)

Dados que preocupam

As preocupações se estendem ao Pacífico, onde cabos conectam Japão, Taiwan, Coreia do Sul e Estados Unidos. Governos da região temem que, em caso de conflito com a China, a infraestrutura possa ser destruída. Relatórios do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) indicam que Pequim desenvolveu um navio capaz de cortar cabos a profundidades de até quatro mil metros.

A Comissão de Revisão Econômica e de Segurança EUA-China (USCC) aponta que a China “tem participado cada vez mais de atividades de corte de cabos submarinos” usadas como “meio de pressão na zona cinzenta”. Há também indícios, segundo o órgão, de que o país desenvolve tecnologias para destruição de cabos em cenários de guerra.

Cabos são fáceis de serem intencionalmente rompidos, dizem especialistas (Imagem gerada por IA via DALL-E/Vitória Gomez/Olhar Digital)

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Impactos da ameaça aos cabos submarinos

Os impactos potenciais são graves. “Se o cabo principal for danificado, você perde toda a conexão com a internet“, alerta Kenny Huang, presidente do Asia Pacific Information Center (APIC), responsável pelo registro de domínios na região Ásia-Pacífico.

“A região afetada se torna um vácuo de informações, pois também não há mais acesso à rede interna”. Para Taiwan, diz o especialista, o rompimento de um cabo “isolaria completamente” o país e afetaria setores, como educação, economia, forças armadas e agricultura.

Além da destruição física, cabos podem ser interceptados, segundo a revista Global Defense Insight. “Países rivais podem explorar essas vulnerabilidades para obter informações ou vantagens estratégicas em conflitos de segurança marítima”, afirma a publicação, que cita a necessidade de a Coreia do Sul reforçar sua segurança cibernética.

Segundo Peters, romper um cabo não exige grande capacidade técnica. “Basta apenas lançar no fundo do mar uma espécie de âncora, que pode puxar os cabos – que são, assim, rompidos em algum momento. Não é preciso ter nenhum navio particularmente poderoso”.

Por isso, ele afirma que o Mar Báltico funciona hoje como um “laboratório de testes para a guerra híbrida marítima”, observado atentamente pela China para identificar fragilidades do Ocidente, inclusive jurídicas, no âmbito do direito marítimo internacional.

Para enfrentar o risco, especialistas sugerem mudanças legais e técnicas. “Agora, é preciso aprovar leis que permitam aplicar penas mais severas ao corte intencional de cabos submarinos”, afirma Huang. Medidas técnicas também são necessárias.

Patrulhamento marítimo é uma das tentativas de evitar sabotagens (Imagem: makasana/iStock)

Em caso de danos, o tráfego costuma ser redirecionado para outro cabo, mas isso nem sempre é possível. “No caso de um ataque militar a um cabo submarino, não há nenhuma instalação que possa repelir uma ofensiva”, diz.

Governos do Pacífico têm adotado estratégias preventivas. Segundo o CSIS, Japão e aliados vêm excluindo empresas chinesas de projetos de cabos com participação estadunidense. O Japão também reforça a segurança ao instalar cabos mais afastados entre si, evitando que um único ataque comprometa toda a rede.

Peters afirma que países poderiam ainda delimitar áreas marítimas onde navios só poderiam passar com autorização, devido à presença de cabos no local. “Os próprios cabos também podem ser parcialmente protegidos, por exemplo, com tecnologia de sensores adequada”, conclui.

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