A Justiça de São Paulo determinou na última terça-feira(02), a transferência da investigação sobre a morte da modelo e influenciadora Bárbara Jankavski Marquez, conhecida nas redes sociais como “Barbie Humana“, da Vara Criminal para a Vara do Júri. A decisão acata o pedido do Ministério Público e dos advogados da família da vítima, que enxergam indícios de crime doloso contra a vida.
O Poder Judiciário sinaliza que há elementos que sugerem que Bárbara, pode ter sido vítima de um assassinato, apesar de o 7º Distrito Policial (DP), na Lapa, pretender concluir o inquérito como morte acidental decorrente do uso de cocaína.
A modelo foi encontrada morta pela Polícia Militar em 2 de novembro, na residência do defensor público Renato De Vitto, de 51 anos, localizada na Zona Oeste de São Paulo.
As suspeitas da família e os sinais de violência
Segundo informações do G1, o Ministério Público e a defesa da família de Bárbara Jankavski pediram a mudança de vara judicial baseados na suspeita de homicídio. Eles argumentam que havia sinais de violência física no corpo da influenciadora, citando lesões evidentes no olho, pescoço e pernas.
A decisão de mover o caso para o Júri se antecipa à conclusão do inquérito do 7º DP e visa garantir que um promotor e um juiz especializados em crimes contra a vida analisem futuramente todas as provas, podendo até mesmo discordar do desfecho policial e solicitar novas investigações.
Os advogados da família sugeriram, inclusive, que o Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) assuma a apuração.
Versão do defensor público
O defensor público Renato De Vitto e outras duas pessoas que estavam no imóvel foram ouvidos como testemunhas. Em seu depoimento, ele declarou que contratou a modelo como garota de programa e que ambos consumiram cocaína. Ele afirma que Bárbara dormiu e não acordou, levando-o a acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência(SAMU).
Segundo o defensor, ele teria tentado reanimar a vítima com massagem cardíaca por nove minutos. A PM encontrou Bárbara seminua e com manchas pelo corpo. Uma amiga de Renato tentou justificar as lesões, afirmando que viu a vítima caindo e se machucando.
O laudo necroscópico do Instituto Médico Legal(IML) confirmou que a causa da morte foi “choque cardiogênico, decorrente de intoxicação exógena aguda“. A perícia não relaciona as lesões encontradas a possíveis agressões.
Falhas apontadas na investigação
Os advogados dos pais da influenciadora questionaram a investigação, levantando diversas críticas processuais, como: A ausência de exame de corpo de delito nas três pessoas presentes na casa, a não coleta de material genético debaixo das unhas da vítima(que poderia indicar luta corporal), a falta de apreensão e análise dos telefones celulares de Bárbara e dos demais envolvidos.
A defesa da família cogita pedir um novo laudo pericial ou até mesmo a exumação do corpo, alegando que a quantidade de cocaína encontrada no organismo de Bárbara não seria suficiente para causar-lhe a morte.
Após a repercussão do caso
A Secretaria da Segurança Pública(SSP), procurada para comentar o assunto, reafirmou que a investigação prossegue no 7º DP, reforçando que os exames periciais apontaram a intoxicação química como causa da morte.
Logo após o falecimento de Bárbara, o defensor público Renato De Vitto se desligou temporariamente de suas funções na Defensoria Pública, alegando estresse pós-traumático. A instituição confirmou, por meio de nota, que ele permanece em “período regular de afastamento”.
Bárbara Jankavski era seguida por mais de 400 mil pessoas e também era conhecida como “Boneca Desumana“. Ela havia passado por 27 cirurgias plásticas para atingir a aparência da boneca Barbie.
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