A defesa de Douglas da Silva, motorista preso por atropelar e arrastar Tainara Souza por cerca de um quilômetro na Marginal Tietê, alegou em audiência de custódio que ele corre risco de vida dentro da prisão. O depoimento dele foi marcado por denúncias de agressões policiais e um “vazio” de horas em que ninguém soube dizer onde o suspeito estava.
No início da audiência, o juiz perguntou se Douglas havia sofrido agressões. Ele respondeu: “Sim, senhor.” Disse que foi abordado pela Polícia Civil enquanto dormia em um hotel e que as lesões já estavam registradas. O acusado afirmou ainda conseguir reconhecer os agentes que teriam participado da violência.
O advogado contou que perdeu o paradeiro do cliente durante toda a madrugada, apesar de ter sido informado pelo delegado que Douglas seria levado ao 8º DP. Segundo ele, ficou em frente à delegacia até às 3h da manhã, sem nenhuma informação.
“Onde ele ficou todo esse período? O que aconteceu com esse menino? Eu não sei.”, disse o advogado, insinuando que Douglas pode ter sido mantido fora de registro e sem acompanhamento legal.
A defesa também afirmou que Douglas não recebeu nenhum atendimento médico, mesmo apresentando ferimentos visíveis, incluindo uma lesão de tiro “aberta e sangrando”. O advogado pediu urgência na preservação da vida do acusado.
“É questão de integridade física. Ele está sujo, está sangrando. Não foi sequer medicado.”, declarou, solicitando atendimento imediato e encaminhamento ao IML.
Diante das denúncias, o juiz determinou exame no IML, atendimento médico obrigatório e o encaminhamento das alegações à Corregedoria da Polícia Civil. Também registrou os pedidos da defesa para acesso às câmeras corporais e ao GPS das viaturas que participaram da captura.
A prisão de Douglas é temporária, e o juiz destacou que a audiência de custódia não analisaria os fundamentos do pedido, que seguem com o juízo do inquérito.
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