Um homem foi preso preventivamente nesta terça-feira (2) por suspeita de matar o próprio filho, um adolescente de 16 anos, em Guaíba, na Região Metropolitana de Porto Alegre. O afogamento ocorreu em 10 de novembro e, inicialmente, foi tratado como acidente. Na ocasião, o Corpo de Bombeiros foi acionado para procurar o jovem, que teria caído em um buraco no açude enquanto cortava mato com o pai em uma granja na zona rural. Como não sabia nadar, o adolescente morreu, e o corpo foi localizado no mesmo dia.
A delegada de Guaíba, Karoline Calegari, afirma que, ao aprofundarem a investigação, os agentes descobriram que dois dias antes da morte o pai havia espancado a companheira. O adolescente interveio para defender a mãe e chegou a agredir o pai, que prometeu se vingar. O jovem relatou aos irmãos — ambos mais velhos — que tinha medo de morrer. No dia da tragédia, ele e a mãe planejavam registrar um boletim de ocorrência contra o agressor.
Quando percebeu que a denúncia seria feita, o homem exigiu que o filho o acompanhasse à granja para caçar marrecos. Mesmo contrariado, o adolescente foi. Poucas horas depois, o suspeito voltou sozinho e afirmou que o jovem havia se afogado.
Familiares e vizinhos tentaram localizar o adolescente, mas sem sucesso. O irmão mais velho quase se afogou tentando encontrá-lo. O corpo foi encontrado pelos bombeiros.
A família relatou à polícia que o suspeito sempre foi extremamente violento, agredindo a companheira e os filhos ao longo dos anos. Também foi acusado de estuprar familiares. Conforme a delegada, o homem chegou a dizer que “um já tinha ido, agora só faltavam os outros dois”, fazendo referência aos demais filhos. Ele já havia perdido outro filho, de um relacionamento anterior, e afirmava abertamente que nenhum dos demais merecia viver.
Interrogado, o pai apresentou três versões diferentes sobre o que aconteceu:
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Afirmou que caçavam marrecos em lados opostos do açude quando a munição do filho acabou, e ele tentou atravessar o local para buscar mais chumbinho.
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Disse que o adolescente se jogou na água para pegar filhotes de marreco, sem notar que era fundo.
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Por fim, admitiu ter empurrado o filho no açude “para assustá-lo”, mas negou intenção de matar. Alegou que não conseguiu salvá-lo porque também não sabia nadar.
Segundo a delegada, o suspeito disse que levou 15 minutos para perceber que o filho se afogava. Quando tentou resgatá-lo, não conseguiu e voltou para casa para pedir ajuda. Ele foi preso por homicídio triplamente qualificado e estava alcoolizado no momento da detenção.
A investigação aguarda perícias e seguirá ouvindo testemunhas. A Polícia Civil reforça a importância de denunciar casos de violência intrafamiliar. “Isso pode salvar uma vida”, alerta a delegada Karoline Calegari.
