O Filho de Mil Homens, protagonizado por Rodrigo Santoro e dirigido por Daniel Rezende, estreou na Netflix na última quarta-feira (19/11). Adaptado do livro de Valter Hugo Mãe, o longa parte de histórias duras, mas conduz o espectador a um desfecho marcado pela reconstrução e por novos tipos de família.
A trama acompanha Crisóstomo (Rodrigo Santoro), um pescador solitário que sempre desejou ser pai e, diante de uma vida cercada por perdas, cria até um boneco para preencher o vazio.
Tudo muda quando ele conhece Camilo, um jovem que acaba de perder o avô e também busca um lugar onde possa pertencer. A relação entre os dois dá início a uma série de encontros que transformam não só suas trajetórias, mas também a de outras figuras que cruzam seu caminho.
Entre esses personagens estão Antonino e Isaura. Ele, reprimido pela rejeição da própria família devido à sua sexualidade; ela, presa a culpas e medos afetivos. Os dois vivem juntos por obrigação, sem amor e sem perspectiva, até que suas vidas passam a se entrelaçar com as de Crisóstomo e Camilo.
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O Filho de Mil Homens
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Johnny Massaro como Antonino
Marcos Serra Lima/ Netflix © 2025
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Livro O Filho de Mil Homens, de Valter Hugo Mãe (Ed. Biblioteca Azul)
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Spoilers a seguir!
A última parte do filme mostra a formação de um novo núcleo familiar composto por Crisóstomo, Camilo, Isaura e Antonino. Embora nenhum deles tenha laços de sangue, todos descobriram no outro o que sempre lhes faltou: aceitação, escuta e afeto.
É essa união, construída a partir de dores compartilhadas, que encerra o drama com uma mensagem clara: família é aquilo que se escolhe e se sustenta no amor, não na biologia.
O desfecho poético do filme acontece quando Crisóstomo entrega a Camilo a concha que alimentou sua imaginação na infância. Logo após o gesto, os dois são cercados por centenas de pessoas, inclusive algumas que foram “excluídas pela sociedade” ao longo do filme. Uma imagem que pode representar os “mil homens” do título do longa.

