O físico Almir Caldeira desenvolveu uma teoria há mais de 40 anos que foi provada matematicamente pelos vencedores do prêmio deste ano

(Imagem: Paramonov Alexander/Shutterstock)

Os físicos John Clarke, Michel H. Devoret e John M. Martinis, da Universidade da Califórnia, foram os vencedores do Prêmio Nobel de Física de 2025. Eles demonstraram como efeitos da mecânica quântica, até então restritos ao mundo microscópico, também podem se manifestar em sistemas grandes o suficiente para caber na mão (saiba mais sobre o assunto clicando aqui).

Mas você sabia que um brasileiro foi citado no documento que embasou a escolha dos vencedores deste ano? O físico Almir Caldeira desenvolveu uma teoria há mais de 40 anos que ajudou a construir o caminho que agora foi premiado.

Ilustração de retratos de John Clarke, Michael H. Devoret e John M. Martinis, vencedores do Prêmio Nobel de Física de 2025
John Clarke, Michael H. Devoret e John M. Martinis foram os vencedores do Prêmio Nobel de Física de 2025 (Imagem: Niklas Elmehed/Prêmio Nobel)

Reconhecimento para o Brasil

  • Caldeira fez a graduação e o mestrado na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e concluiu o doutorado na University of Sussex, no Reino Unido.
  • Atualmente, é professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e membro da Academia Brasileira de Ciências.
  • Aos 75 anos, ele vem trabalhando na formação de novos físicos.
  • E afirma que ser citado no documento que embasou a escolha do Nobel de Física é um reconhecimento das capacidades científicas do Brasil.
  • O brasileiro destaca que temos profissionais excelentes, mas falta investimento no setor.
  • As informações são do G1.

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Almir Caldeira desenvolveu teoria que serviu de base para a descoberta (Imagem: Jornal da Unicamp)

Teoria criado pelo brasileiro foi provada pelos vencedores do Nobel

A física quântica descreve o comportamento das partículas — como elétrons, fótons e átomos — em escalas minúsculas. Nesse contexto, as leis que conhecemos deixam de valer, e as partículas podem, por exemplo, estar em dois lugares ao mesmo tempo, atravessar barreiras sólidas e até existir em mais de um estado simultaneamente.

O fato destes mesmos efeitos nunca terem sido observados em sistemas maiores era um grande mistério. Em 1981, Almir Caldeira desenvolveu um modelo teórico que buscava decifrar o porquê dessa diferença. O trabalho do brasileiro conseguiu demonstrar que, quando um sistema quântico interage com o meio externo, ele pode perder suas propriedades e começar a agir respeitando as leis da física.

Brasileiro foi citado no documento que embasou a escolha dos vencedores da premiação (Imagem: reprodução)

Agora, os ganhadores do Nobel deste anos conseguiram transformar esta teoria em prática. O experimento mostrou que o que Caldeira previu matematicamente podia, de fato, ser observado e controlado.

Recebi com surpresa. Quando eu vi, pensei: agora foi coroado o projeto. Claro que seria melhor ganhar um prêmio, mas só esse reconhecimento, em termos científicos, já é ótimo. Dá orgulho, e você se sente recompensado. Fica feliz da vida.

Amir Caldeira, físico e professor da Unicamp

Colaboração para o Olhar Digital

Alessandro Di Lorenzo é formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e atua na área desde 2014. Trabalhou nas redações da BandNews FM em Porto Alegre e em São Paulo.