O Congresso do Peru aprovou, na madrugada desta sexta-feira (10), a destituição da presidente Dina Boluarte por “incapacidade moral”, em votação unânime. A decisão foi tomada após uma série de denúncias de corrupção, incluindo o escândalo conhecido como “Rolexgate”, que investiga o uso de relógios de luxo não declarados pela ex-presidente em eventos oficiais.
Com o afastamento, o chefe do Congresso, José Jerí, de 38 anos, assumiu a presidência interinamente. Membro do partido conservador Somos Peru, ele afirmou que pretende conduzir um governo de reconciliação nacional e declarou que o principal inimigo do país “está nas ruas, nas gangues criminosas”.

Aos 63 anos, Dina Boluarte chegou ao poder em dezembro de 2022, após a queda de Pedro Castillo/Foto: Reprodução
Durante a votação, multidões se reuniram em frente ao Congresso, em Lima, e nas imediações da embaixada do Equador, onde surgiram rumores de que Boluarte poderia pedir asilo. O clima era de celebração, com bandeiras e danças. Em pronunciamento após a destituição, Boluarte afirmou: “Não pensei em mim mesma, mas nos peruanos”.
Aos 63 anos, Dina Boluarte chegou ao poder em dezembro de 2022, após a queda de Pedro Castillo, e enfrentou forte rejeição popular desde o início de seu mandato. Sua aprovação variava entre 2% e 4%, agravada por denúncias de enriquecimento ilícito e pela decisão de dobrar o próprio salário em julho, o que intensificou as críticas.
Nos primeiros meses de governo, mais de 500 protestos tomaram as ruas do país exigindo sua renúncia, muitos deles reprimidos com violência. Organizações de direitos humanos denunciaram excessos das forças de segurança durante os confrontos, principalmente em regiões andinas.
Com o afastamento, o chefe do Congresso, José Jerí, de 38 anos, assumiu a presidência interinamente/Foto: Reprodução
A gestão de Boluarte também foi marcada pela alta criminalidade, com 6.041 assassinatos registrados entre janeiro e agosto, o maior número desde 2017. As denúncias de extorsão subiram 28% em relação ao ano anterior. Ela chegou a culpar parte da crise à imigração ilegal, atribuindo o avanço da violência à falta de controle em governos anteriores.
José Jerí deve permanecer na presidência até as eleições gerais previstas para abril de 2026. Ele prometeu respeitar o calendário eleitoral e entregar o poder ao próximo vencedor. O Peru segue enfrentando uma profunda instabilidade política — o país já acumula sete presidentes desde 2016 e quatro ex-líderes presos, refletindo uma crise institucional que parece longe do fim.