Pesquisadores apontam que dançar, tocar instrumentos, pintar, cantar ou até jogar videogame podem retardar o envelhecimento cerebral

Laboratório de Neuroproteômica conseguiu criar seus próprios neurônios e minicérebros (Imagem: Andrii Shyp/iStock)

O envelhecimento do cérebro é um processo natural e que leva ao declínio de algumas funções cognitivas, como a memória e o processamento de informações. Em alguns casos, no entanto, essa condição pode estar ligada à demência, por exemplo.

De qualquer forma, alguns hábitos podem aumentar a longevidade cerebral. De acordo com um novo estudo, atividades criativas, como dançar, tocar instrumentos, pintar, cantar ou até jogar videogame, trazem benefícios.

Atividades criativas trazem benefícios ao cérebro (Imagem: Edit 4 Me/Shutterstock)

Envelhecimento cerebral mais lento

  • No trabalho, foram analisados dados cerebrais de mais de 1.400 participantes de 13 países.
  • A conclusão dos pesquisadores foi que as pessoas que praticavam atividades criativas com frequência tinham cérebros “mais jovens”.
  • Eles explicam que, nestes casos, o processo de envelhecimento cerebral foi mais lento.
  • Em outras palavras, os cérebros mantiveram sua capacidade de resposta e de criação por mais tempo.
  • As conclusões foram descritas em estudo publicado na revista Nature Communications.

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Envelhecimento cerebral leva ao declínio de algumas funções cognitivas, como a memória e o processamento de informações (Imagem: Naeblys/Shutterstock)

Criatividade pode ser usada como ferramenta de prevenção

A equipe responsável pelo trabalho usou modelos computacionais conhecidos como brain clocks (“relógios cerebrais”) para comparar a idade biológica e cronológica do cérebro. A diferença entre os grupos ficou muito clara.

Os participantes que se envolviam regularmente com práticas criativas tinham cérebros mais jovens e conexões neurais mais eficientes. Já quem não tinha esse hábito apresentou o padrão esperado de envelhecimento cerebral. Por fim, os aprendizes, que começaram recentemente uma atividade, mostraram melhora intermediária.

Dançar é uma das formas de retardar o envelhecimento cerebral (Imagem: fizkes/Shutterstock)

Os pesquisadores ainda explicam que o efeito foi ainda mais evidente nos dançarinos de tango, cujos cérebros pareceram até sete anos mais jovens do que a idade real. Isso acontece porque a dança combina movimento, coordenação, música e improviso, ativando várias regiões cerebrais ao mesmo tempo.

Outra descoberta foi que mesmo quem decide começar a praticar atividades criativas depois dos 50 ou 60 anos ainda pode apresentar ganhos mensuráveis para o cérebro. Os cientistas acreditam que, no futuro, a criatividade poderá ser prescrita como ferramenta de prevenção para doenças cerebrais.

Colaboração para o Olhar Digital

Alessandro Di Lorenzo é formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e atua na área desde 2014. Trabalhou nas redações da BandNews FM em Porto Alegre e em São Paulo.