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Estudo: Efeitos de fumaça de incêndios florestais podem ser fatais

Estudo: Efeitos de fumaça de incêndios florestais podem ser fatais

Partículas finas de poluentes emitidos pela fumaça de incêndios florestais podem causar mais danos à saúde do que aquelas que não são relacionadas ao fogo, de acordo com um novo estudo do Instituto de Saúde Global de Barcelona (ISGlobal).

“As mudanças climáticas causadas pelo homem são uma das principais causas do aumento da frequência e da intensidade dos incêndios florestais, pois criam condições favoráveis à sua propagação e aumentam o número de dias com risco de incêndio muito alto ou extremamente alto”, disse Anna Alari, primeira autora do estudo.

“Melhorar as estimativas de mortalidade por incêndios florestais relacionados a PM 2,5 ajudará a rastrear melhor o impacto dessa ameaça à saúde pública relacionada às mudanças climáticas”, acrescentou.

Pesquisa usou registros diários de mortalidade em 654 regiões de 32 países europeus (Imagem: Toa55/iStock)

Os resultados, publicados na revista The Lancet Planetary Health, também indicam que a mortalidade associada à fumaça de incêndios florestais pode ser subestimada em 93%.

Como foi feita a pesquisa?

Pesquisa avaliou impacto da fumaça em área que abriga população de 541 milhões de pessoas (Imagem: AlexandreFagundes/iStock)

O estudo mostrou que a exposição de curto prazo às partículas derivadas de incêndios florestais foi responsável por uma média de 535 mortes anuais, incluindo 31 por doenças respiratórias e 184 por causas cardiovasculares.

Para cada aumento de um micrograma por metro cúbico (1 µg/m³) na concentração dessas partículas, a mortalidade por todas as causas aumentou 0,7%, a mortalidade respiratória, 1% e a mortalidade cardiovascular, 0,9%.

Estudos anteriores sugerem que o PM 2,5 de incêndios florestais pode ser até dez vezes mais prejudicial do que partículas de outras fontes, como emissões de veículos.

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Incêndio florestal nas montanhas perto de Estepona, Espanha (Imagem: David Miller/iStock)

Diferenças regionais

Os pesquisadores ponderam que nem todas as regiões onde há exposição frequente à fumaça de incêndios florestais apresentaram associações entre as partículas emitidas e as taxas de mortalidade, como foi o caso de Portugal e Espanha. Por outro lado, Bulgária, Romênia, Hungria e Sérvia foram os países mais afetados.

“Possíveis explicações podem estar relacionadas às estratégias regionais e nacionais de gestão e adaptação a incêndios florestais. No entanto, mais estudos são necessários para identificar os fatores por trás dessa variabilidade regional”, observa Cathryn Tonne, pesquisadora do ISGlobal e autora sênior do estudo.

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