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Câncer de fígado: nova esperança de terapia vem do Japão

Câncer de fígado: nova esperança de terapia vem do Japão

Um mecanismo de ataque contra uma das formas de câncer de fígado foi descoberto por pesquisadores do Instituto de Ciência de Tóquio, no Japão, e traz uma nova esperança de tratamento do carcinoma hepatocelular (CHC) — o tipo mais comum e fatal.

A pesquisa focou em uma variante particularmente agressiva, caracterizada por tumores que formam grandes “camadas” ao redor dos vasos sanguíneos. Esse encapsulamento não apenas promove o crescimento do tumor, mas também é imunossupressor e resistente aos tratamentos padrão.

Agora, no entanto, cientistas conseguem romper a estrutura protetora do tumor, permitindo que as células imunológicas se infiltrem e ataquem o câncer. Os resultados foram publicados na revista Hepatology.

Sequenciamento de RNA ajudou a identificar padrões anormais nas células (Imagem: Shidlovski/iStock)

“Utilizando a análise integrada de conjuntos de dados de sequenciamento de RNA em larga escala e de células individuais, refinamos a classificação molecular e imunológica do câncer de fígado. Utilizando essas descobertas, desenvolvemos um modelo murino singênico de CHC agressivo, que exibiu alta capacidade mitótica, tumorigênica e metastática, contribuindo para a evasão imunológica”, explica Shinji Tanaka, que liderou o estudo.

Desvendando o câncer

Mutações no gene TP53 tornam o tumor mais agressivo (Imagem: catalinr/iStock)

“O gene TP53 codifica a proteína supressora de tumor (p53), que previne o câncer, mas mutações desativam essa função. O MYC é um oncogene que impulsiona o crescimento celular e a progressão do tumor, enquanto o baixo número de células T enfraquece a capacidade do sistema imunológico de combater o tumor”, explica um comunicado.

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Em busca de um tratamento

A partir daí, os pesquisadores começaram a avaliar terapias que pudessem limitar a atuação desse conjunto de características a partir de um modelo experimental de CHC.

Nova estratégia terapêutica pode ser eficaz (Imagem: peakSTOCK/iStock)

Eles injetaram em camundongos células de câncer de fígado sem o gene Trp53 e superexpressando MYC, semelhantes ao subtipo MS1. Depois, usaram um inibidor de crescimento (angiogênese) e um anticorpo anti-PD-1 (inibidor do ponto de controle imunológico).

A combinação resultou no bloqueio da formação de novos vasos sanguíneos e na reativação de células T, permitindo que atacassem as células cancerosas. “A terapia resultou em redução significativa do tumor, sugerindo que essa nova estratégia terapêutica pode ser eficaz”, diz Tanaka.

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