O senador Márcio Bittar (União Brasil) fez duras críticas ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) e ao Ministério Público de Contas após os órgãos solicitarem o afastamento do secretário de Educação, Aberson Carvalho. A solicitação surgiu diante das condições precárias de uma escola situada no ramal do Limoeiro, em uma área rural do município de Bujari. O episódio ganhou visibilidade em nível nacional após ser exibido no programa Fantástico, da TV Globo, no domingo (8).

O senador apontou ainda as dificuldades logísticas da região como fator determinante para a situação da escola/ Foto: Reprodução
Durante discurso público, Bittar repudiou o pedido de afastamento, classificando-o como uma “intervenção fora de lugar” e argumentou que as instituições fiscalizadoras não têm legitimidade para interferir diretamente na gestão estadual. “O Ministério Público, com todo respeito, não foi eleito para governar. O Tribunal de Contas do Estado também não. Estou aqui para apoiar a decisão do governo de manter o secretário”, afirmou o senador.
Bittar também destacou os desafios logísticos enfrentados naquela região remota. Segundo ele, o acesso ao local é extremamente complicado. “Esse ramal tem 143 quilômetros e é praticamente intransitável. Uma caminhonete 4×4 enviada para entregar uma geladeira atolou no trajeto. Isso é a Amazônia”, disse.
O parlamentar aproveitou a ocasião para criticar a forma como a imprensa nacional retrata a região amazônica. “Rede Globo, bem-vinda à Amazônia real. Quem não vive aqui, não compreende nossa realidade”, declarou.
Segundo o senador, a existência da escola improvisada atende a um pedido da própria comunidade local, que queria evitar que as crianças percorressem longas distâncias diariamente por estradas difíceis. “Se for para afastar o secretário porque escola da zona rural não tem água encanada, ninguém sobra na Amazônia. A realidade no interior do Acre é igual — ou até pior — à do Amazonas”, disse.
A unidade de ensino do Limoeiro foi mostrada em reportagem por suas condições improvisadas. A repercussão levou o Ministério Público Estadual a iniciar um processo investigativo ainda em janeiro. Conforme a Secretaria de Educação do Estado, uma nova escola está em construção e deve ser concluída em até 40 dias.