O piloto Wesley Evangelista Lopes, de 39 anos, conhecido no Acre por protagonizar um acidente aéreo em maio do ano passado ao cair com um monomotor no rio Tarauacá, foi absolvido pela Justiça Federal nesta quarta-feira (5), meses após ter sido detido transportando uma carga de aproximadamente 400 quilos de cocaína no interior de São Paulo.

Apesar do flagrante, a Justiça entendeu que a ação policial violou procedimentos legais: foto/ Reprodução
Wesley ganhou notoriedade no estado acreano após o episódio do acidente, que mobilizou equipes de resgate e chamou atenção nas redes sociais pela operação de retirada inusitada da aeronave, içada de dentro do rio com auxílio de um batelão. À época, chegaram a surgir suspeitas de que o voo tinha relação com atividades ilícitas ligadas ao narcotráfico, o que, no entanto, nunca foi oficialmente comprovado. O caso permanece sob apuração do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), que investiga, entre outras possibilidades, a hipótese de excesso de carga como fator determinante da queda.

Wesley ganhou notoriedade no estado acreano após o episódio do acidente, que mobilizou equipes de resgate e chamou atenção nas redes sociais pela operação de retirada inusitada da aeronave: Foto/ Reprodução
A história voltou a ganhar projeção em dezembro de 2024, quando Wesley foi interceptado pela Polícia Militar de São Paulo após pousar uma aeronave em uma pista não autorizada na zona rural do município de Penápolis. O avião havia decolado de Aquidauana, no Mato Grosso do Sul, e foi rastreado pelo helicóptero Águia da PM. Durante a abordagem, foi localizada a droga, e o piloto teria confirmado estar transportando o entorpecente.
Apesar do flagrante, a Justiça entendeu que a ação policial violou procedimentos legais. Na decisão proferida pelo juiz Luciano Silva, da 2ª Vara Federal de Araçatuba, a interceptação foi considerada inválida por não apresentar justificativas legais suficientes antes da abordagem. O magistrado argumentou que a simples presença da droga não legitima a busca forçada. “É necessário que exista uma suspeita fundamentada anterior à abordagem, o que não se verificou neste caso”, pontuou.
Com isso, tanto Wesley quanto o outro ocupante da aeronave foram absolvidos. O piloto, que já havia sido associado por autoridades da Bahia a um esquema especializado em transporte aéreo de entorpecentes e chegou a constar na lista de procurados da Interpol até 2018, volta agora a circular em liberdade, mesmo com passagens por rotas consideradas de alto risco, como na região do Vale do Juruá, no Acre.
