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Guerra dos chips: os desafios da China para se tornar autossuficiente

Guerra dos chips: os desafios da China para se tornar autossuficiente

As sanções impostas pelos Estados Unidos têm como objetivo impedir o avanço da China em setores considerados estratégicos, como o de chips semicondutores e de inteligência artificial. Para superar estes obstáculos, Pequim aposta na indústria doméstica, especialmente na Huawei.

Já foram investidos dezenas de bilhões de dólares para tornar a empresa autossuficiente. Mas especialistas ouvidos pela CNBC apontam que o caminho para os chineses se tornarem totalmente independentes das cadeias de suprimento globais ainda é longo.

China precisa dominar diversos segmentos

Analistas destacam que existem segmentos considerados chave para a fabricação de chips de IA. O desenvolvimento de unidades de processamento gráfico (GPU), por exemplo, é dominado pela Nvidia. Com as restrições, diversas empresas chinesas tentaram assumir esta função, mas o grande destaque vai para o braço de design de chips da Huawei, a HiSilicon.

Em comparação com os chips com restrição de exportação da Nvidia, a diferença de desempenho entre a Huawei e o H20 é menor do que uma geração completa. A Huawei não está muito atrás dos produtos que a Nvidia tem permissão para vender na China.

Dylan Patel, fundador, CEO e analista-chefe da SemiAnalysis

Logo da Huawei em cima de um chip de placa-mãe
Pequim está investindo pesado na Huawei (Imagem: g0d4ather/Shutterstock)

Outro obstáculo está relacionado ao processo de fundição de chips. A Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC) é o principal expoente do setor e também está proibida de fazer negócio com Pequim. Neste caso, a alternativa é a SMIC. Existem evidências de que a empresa chinesa fez progressos importantes, inclusive no desenvolvimento de um chip 5G de 5 nanômetros para o Mate 60 Pro da Huawei, mas há um problema.

A Huawei é uma empresa de design de chips muito boa, mas ainda não tem bons fabricantes de chips domésticos. A capacidade de operação conhecida da SMIC é limitada pelos controles de exportação e ainda é ofuscada pela da TSMC.

Ray Wang, analista independente de chips e tecnologia

China busca soluções para contornar restrições em diversos setores e fabricar seus próprios chips (Imagem: Mau47/Shutterstock)

O maior desafio, no entanto, é a produção de sistemas de litografia para a indústria de semicondutores. Estas ferramentas são essenciais para criar GPUs avançadas em escala e de forma econômica, e a líder global neste setor é a ASML, dos Países Baixos (Holanda). A SMIC até conseguiu contornar parte das restrições usando sistemas de litografia ultravioleta profunda menos avançados, mas isso não deve ser o suficiente.

Esta é a barreira mais significativa para a produção chinesa de chips avançados. Eles têm a maioria das outras ferramentas disponíveis, mas a litografia está limitando sua capacidade de escalar para nós de processo de 3 nm e abaixo. Com os rendimentos atuais, parece que a SMIC não pode produzir aceleradores domésticos suficientes para atender à demanda.

Jeff Koch, analista da SemiAnalysis

Outra alternativa é a SiCarrier Technologies. O problema, segundo o especialista, é que reproduzir as ferramentas de litografia existentes pode levar anos, ou até décadas. Em vez disso, é provável que a China busque outras tecnologias e diferentes técnicas para impulsionar o seu mercado.

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