Fim dos apagões? Leilão do governo pode reforçar energia no Acre

O processo envolve a licitação de 11 lotes, que contemplam a construção de 1.178 quilômetros em novas linhas de transmissão e o acréscimo de 4.400 megawatts (MW) na capacidade de transformação elétrica

O Acre figura entre os estados que serão impactados por um dos maiores aportes em infraestrutura energética previstos para 2025. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou, nesta terça-feira (24), a minuta do edital do Leilão de Transmissão nº 4/2025, com estimativa de investimento de aproximadamente R$ 7,96 bilhões distribuídos em 13 estados brasileiros.

Embora o estado do Acre não tenha um lote exclusivo neste leilão, está diretamente ligado ao Lote 4, que contempla a construção de uma linha de transmissão de 500 kV entre Jauru (MT) e Vilhena 3 (RO), com aproximadamente 344,5 km de extensão/Foto: Reprodução

O documento, agora encaminhado para avaliação do Tribunal de Contas da União (TCU), antecipa a realização do leilão para o dia 31 de outubro, na sede da B3, em São Paulo. Esta será a única licitação do tipo promovida pela Aneel neste ano, com potencial de gerar mais de 18 mil postos de trabalho, entre diretos e indiretos.

O processo envolve a licitação de 11 lotes, que contemplam a construção de 1.178 quilômetros em novas linhas de transmissão e o acréscimo de 4.400 megawatts (MW) na capacidade de transformação elétrica. Embora o Acre não esteja listado como destino exclusivo de um dos lotes, o estado será diretamente beneficiado pelo Lote 4, que prevê uma linha de transmissão de 500 kV ligando Jauru (MT) a Vilhena 3 (RO), com cerca de 344,5 km de extensão. Este projeto também contempla a instalação da subestação Vilhena 3 (500/230 kV), com potência estimada em até 200 MVA e equipada com sistema de compensação síncrona — essencial para manter a estabilidade da rede elétrica.

Avaliado em R$ 1,25 bilhão, o Lote 4 é considerado estratégico para reforçar o subsistema que abastece Acre e Rondônia, aumentando a confiabilidade do fornecimento de energia à população acreana, ainda afetada por limitações na infraestrutura e dependência energética do estado vizinho.

A versão definitiva do edital será publicada somente após o parecer do TCU. Caso o tribunal aprove até 23 de setembro, lotes que ainda estão pendentes — como os de número 1B, 7, 8, 9 e 10 — poderão ser incluídos, desde que o Ministério de Minas e Energia finalize o cancelamento de contratos antigos que não foram executados por concessionárias vencedoras em editais passados.

Os prazos de execução variam de 42 a 60 meses, conforme a complexidade técnica de cada projeto. As obras são fundamentais para acompanhar o aumento da demanda energética nacional e integrar com mais eficiência as fontes renováveis, como solar e eólica, à malha elétrica brasileira.

Antes da aprovação do edital preliminar, a Aneel promoveu a Consulta Pública nº 18/2025, que recebeu 216 manifestações de 39 representantes do setor elétrico. Também foi realizado um workshop técnico em maio, com o objetivo de detalhar os empreendimentos. Questionamentos sobre o edital ainda podem ser enviados até 7 de agosto.

Informações sobre os lotes previstos para o Leilão nº 4/2025 

LOTE

DESCRIÇÃO

UF(S)

PRAZO (MESES)

FUNÇÃO DO EMPREENDIMENTO

1(1)

Sublote 1A:–    LT 345 kV Miguel Reale – Centro CTR, C1 e C2, com 5,72 km (subterrânea)

Sublote 1B:

–    LT 345 kV Norte – Miguel Reale, C3 e C4, com 14,5 km cada (subterrânea).

SP

60

Atendimento à Região Metropolitana de São Paulo – Sub-regiões Norte, Leste e Sul.

2

–    LT 500 kV Santa Luzia II – Bom Nome II, C1, CS, com 228 km.–    LT 230 kV Caxias II – Teresina II C1, CS, com 92 km;

–    LT 230 kV Teresina – Teresina III C1, com 14 km (reaproveita faixa da LT 230 kV Teresina – Piripiri C1 a ser desativada);

–    SE 230 kV Caxias II – Controle Automático Rápido de Reativos – CARR (-50/50) Mvar.

PB/PE/MA/PI

54

Escoamento de geração na área Leste da região Nordeste e atendimento às regiões leste do estado do Maranhão e centro-norte do estado do Piauí.

3

–    SE 525/138 kV Erechim – (6+1 Res) x 50 MVA;–    SE 230/69 kV Boa Vista do Buricá 2 – (6+1Res) x 33,33 MVA;

–    Trechos de LT 525 kV entre a SE Erechim e a LT 525 kV Itá – Caxias Norte C1, com 2 x 1,5 km;

–    Trechos de LT 230 kV entre a SE Boa Vista do Buricá 2 e a LT 230 kV Guarita – Santa Rosa C1, com 2 x 5,5 km.

–    LT 230 kV Ivoti 2 – São Sebastião do Caí 2, com 20,4 km;

–    LT 230 kV Caxias – São Sebastião do Caí 2 C1, com 42,6 km;

–    SE 230/138 kV São Sebastião do Caí 2 – 2 x 150 MVA;

–    SE 230/138 kV Ivoti 2 – 2 x 150 MVA;

–    Trechos de LT 230 kV entre a SE Ivoti 2 e a LT 230 kV Caxias – Campo Bom C1, com 1 km;

–    Trechos de LT 230 kV entre a SE Ivoti 2 e a LT 230 kV Caxias – Campo Bom C2, com 1 km.

–    LT 230 kV Sarandi – Maringá, C1 e C3, CD, com 18,2 km (nova linha de transmissão na mesma faixa do C1 existentes, com maior capacidade)

PR/RS

48

FUNÇÃO DO EMPREENDIMENTO: Atendimento (I) às cargas da região noroeste do Rio Grande do Sul e aumento de confiabilidade; (ii) à região Metropolitana de Porto Alegre; e (iii) à região noroeste do Paraná.

4

–    LT 500 kV Jauru – Vilhena 3 C1, com 344,5 km;–    LT 230 kV Vilhena – Vilhena 3, C1 e C2, com 2,0 e 1,9 km, respectivamente;

–    SE 500/230 kV Vilhena 3 – (3+1R) x 200 MVA e Compensação Síncrona -90/+150 Mvar.

MT/RO

60

Ampliação da capacidade de transmissão do subsistema Acre – Rondônia

5

–    LT 230 kV Itapaci – Matrinchã 2, C1, com 146,6 km;–    LT 230 kV Matrinchã 2 – Firminópolis, C1, com 138,3 km;

–    SE 230/138 kV Matrinchã 2 – (6+1Res) x 50 MVA

GO

48

Atendimento às regiões de Itapaci, Firminópolis e Matrinchã, no estado de Goiás.

6

Sublote 6A:–    SE 500 kV Nova Ponte 3 – Compensações Síncronas 2 x (-200/+300) Mvar;

Sublote 6B:

–    SE 500 kV Paracatu 4 – Compensação Síncrona 1 x (-200/+300) Mvar.

MG

42

Aumento da capacidade do sistema de transmissão com a implantação de compensadores síncronos na área Minas Gerais

7(1)

–    LT 345 kV Norte – São Miguel, C1 e C2, com 8,2 km cada (subterrânea);–    LT 345 kV São Miguel – Ramon Reberte Filho, C1 e C2, com 9,2 km cada (subterrânea);

–    SE 345/88 kV São Miguel – (9+1R) x 133,33 MVA.

 

SP

60

Atendimento à Região Metropolitana de São Paulo – Sub-regiões Norte, Leste e Sul, além da Região do ABC, em grande parte atendidas pela distribuidora ENEL SP.

8(1)

–    SE 230/138 kV Iguatemi 2, 2 x 150 MVA;–    Trechos de LT em 230 kV entre a SE Iguatemi 2 e a LT Guaíra – Dourados C1, 2 x 3,1 km.

 

MS

42

Atendimento elétrico ao estado do Mato Grosso do Sul: Região de Naviraí.

9(1)

–    SE 230/88 kV Dom Pedro I – (6+1 res.) x 50 MVA;–    Trechos de LT 230 kV entre a SE Dom Pedro I e a LT 230 kV São José dos Campos – Mogi das Cruzes, com 2 x 9,5 km.

 

SP

42

Atendimento adequado ao sistema de DIT 88 kV da região industrial de Mairiporã, Jaguari e São José dos Campos.

10(1)

–    SE 500/138 kV Cuiabá Norte – (3+1 res.) x 200 MVA;–    Trechos de LT 500 kV entre a SE Cuiabá Norte e a LT Jauru – Cuiabá C2, com 2 x 0,5 km.

 

MT

42

Atendimento à região metropolitana de Cuiabá, Estado do Mato Grosso

11

Sublote 11A:–    SE 500 kV Açu III – Compensações Síncronas 2 x (-200/+300) Mvar;

Sublote 11B:

–    SE 500 kV João Câmara III – Compensação Síncrona 1 x (-200/+300) Mvar.

RN

42

Aumento da capacidade do sistema de transmissão com a implantação de compensadores síncronos na área Rio G