Tratamentos populares para perda de peso podem reduzir risco de câncer de mama, colorretal, pâncreas e outros relacionados à obesidade

(Imagem: oleschwander/Shutterstock)

Um estudo pioneiro apresentado no Congresso Europeu sobre Obesidade revelou que medicamentos para perda de peso baseados em agonistas do receptor GLP-1 podem reduzir significativamente o risco de cânceres relacionados à obesidade — em alguns casos, quase pela metade.

A descoberta é considerada “transformacional” por especialistas e pode marcar o início de uma nova era na medicina preventiva contra o câncer. A pesquisa está publicada no The Lancet.

Detalhes do estudo

  • A pesquisa analisou 6.000 adultos israelenses que não tinham histórico de câncer e usaram medicamentos como liraglutida (Saxenda), exenatida (Byetta) ou dulaglutida (Trulicity), ou realizaram cirurgia bariátrica.
  • Apesar de a cirurgia proporcionar maior perda de peso, os medicamentos demonstraram um efeito protetor comparável — sugerindo que a redução do risco de câncer pode não estar ligada apenas à quantidade de peso perdida, mas também a mecanismos como redução da inflamação, promovida pelo GLP-1.
  • Cânceres de mama, colorretal, pâncreas e ovário — todos ligados à obesidade — podem ser impactados positivamente por esses medicamentos, de acordo com os pesquisadores.
  • O professor Dror Dicker, coautor do estudo, afirma que versões mais recentes e potentes dos medicamentos podem ser ainda mais eficazes.
Canetas dos medicamentos Ozempic Mounjaro e WeGovy
Medicamentos como Mounjaro e Wegovy têm potencial para transformar o tratamento e a prevenção de cânceres comuns e agressivos (Imagem: KK Stock/Shutterstock)

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Estudo comparou eficácia dos medicamentos

Um estudo adicional, apresentado na conferência e publicado no New England Journal of Medicine também demonstrou que o Mounjaro (tirzepatida) proporcionou cerca de 50% mais perda de peso do que o Wegovy (semaglutida), reforçando o potencial desses tratamentos.

Diante dos resultados promissores, especialistas pedem testes clínicos em larga escala para investigar o uso dessas injeções não apenas como forma de prevenção, mas também como apoio ao tratamento de pacientes com câncer recém-diagnosticado.

Uma equipe britânica, financiada pela Cancer Research UK, já está se preparando para iniciar um ensaio clínico com dezenas de milhares de voluntários nos próximos anos.

Novo estudo sugere: remédios para emagrecer também combatem o câncer – Imagem: oleschwander/Shutterstock

Colaboração para o Olhar Digital

Leandro Criscuolo é jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero. Já atuou como copywriter, analista de marketing digital e gestor de redes sociais. Atualmente, escreve para o Olhar Digital.