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Brasil fará combustível para aviões com cana-de-açúcar

Brasil fará combustível para aviões com cana-de-açúcar

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A China fará investimentos de US$ 1 bilhão (R$ 5,6 bilhões, na conversão direta) no Brasil para a produção de combustível renovável para aviação (SAF, na conversão direta) por meio da Envision Group, e para a criação de um centro de pesquisa e desenvolvimento de energia renovável.

O anúncio foi feito nesta segunda-feira (12) durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Pequim — a terceira em pouco mais de dois anos. Lula participou de quatro audiências com executivos de empresas chinesas ligadas aos setores de energia sustentável e defesa.

“Concluímos uma audiência com um anúncio de investimento de US$ 1 bilhão [R$ 5,6 bilhões] para a produção de SAF a partir da cana-de-açúcar no Brasil. O Brasil se tornará um dos maiores produtores de combustíveis verdes de aviação”, disse o ministro Rui Costa, da Casa Civil, que integra a comitiva.

Palmeira de dendê, macaúba, cana-de-açúcar, eucalipto, soja, milho e até agave podem ser usadas como matéria-prima para SAF (Imagem: Scharfsinn86/iStock)

Projetos de grande porte para o Brasil

No encontro, foram apresentadas soluções para mitigar custos de produção, armazenamento e integração de fontes renováveis por meio de tecnologias avançadas, como turbinas eólicas inteligentes; soluções para parques eólicos inteligentes; Sistemas de Armazenamento de Energia (ESS, na sigla em inglês); soluções integradas de Hidrogênio Verde; Amônia Verde; e Aerogeradores de Grande Porte.

Já o novo centro de P&D será conduzido em parceria entre Senai Cimatec e Windey Energy Technology Group, empresa estatal que lidera pesquisa, projeto, fabricação e manutenção de turbinas eólicas de grande porte na China.

Audiência com o presidente do Conselho da Windey Technology, Chen Qi (Imagem: GOVBR/Divulgação)

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Futuro é feito de SAF

O SAF é alternativa ao combustível aeronáutico de origem fóssil, produzido a partir de matérias-primas e processos que atendam a padrões de sustentabilidade. Plantas, como palmeira-de-dendê, macaúba, cana-de-açúcar, eucalipto, soja, milho e até agave podem ser usadas no processo.

Para a União Nacional da Bioenergia, as condições climáticas e de solo do Brasil criam condições para o país liderar o setor de combustíveis limpos com enorme variedade de matérias-primas. Essa é a principal aposta para descarbonizar o setor aéreo, pois a emissão é reduzida entre 60% e 80% na comparação com o querosene de aviação.

O Brasil pode produzir até nove bilhões de litros de combustível sustentável de aviação – ou 125% do consumo de combustível fóssil atual do país por ano, segundo pesquisa da Boeing. Resíduos de cana-de-açúcar e de plantações de eucalipto, gases de combustão, sebo de vaca e óleo de cozinha usado seriam as principais fontes, de acordo com o estudo.

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