Os acusados pelo assassinato de Cauã Nascimento Silva, de 19 anos, morto em fevereiro de 2024, no bairro Taquari, André de Oliveira da Silva e Denis da Rocha, vão passar por audiência na 1ª Vara do Tribunal do Júri Popular da Comarca de Rio Branco, no Fórum Criminal, nesta segunda-feira (18). A vítima era sobrinho-neto da ministra do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, Marina Silva, que, à época do crime, utilizou suas redes sociais para lamentar a morte.

O assassinato de Cauã causou forte comoção no estado à época e teve ampla repercussão na imprensa/Foto: Reprodução
Cauã teria sido morto por pertencer à facção rival à integrada por seus assassinos. Seus familiares negaram que o jovem tivesse participação ou envolvimento com facções. Esta é, pelo menos, a terceira data marcada para os réus. A primeira audiência marcada deveria ocorrer em 27 de março, mas não ocorreu. Mais uma sessão foi marcada para o dia 14 de maio, mas acabou não ocorrendo. Depois, foi escolhida esta segunda (19). Após o encerramento da instrução, o magistrado deve divulgar a pronúncia, ou seja, se os acusados irão a júri popular ou não.
A dupla André de Oliveira da Silva e Denis da Rocha Tavares foi denunciada pelo Ministério Público do Acre (MP-AC) no final de novembro do ano passado. Conforme as investigações da Polícia Civil, André da Silva é apontado como o executor da vítima e Denis Tavares, o dono da arma usada no crime. A Justiça determinou ainda a prisão preventiva de Tavares.
André é réu confesso, conforme o processo. Ele foi preso em setembro deste ano no Ramal do Macarrão, na capital acreana. Durante a ação, os policiais encontraram uma escopeta na casa do suspeito. A prisão foi autorizada pela 3ª Vara Criminal de Rio Branco e cumprida pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
Na época da prisão, o acusado afirmou que recebeu ordem da facção para matar Cauã, que tinha se mudado para o bairro recentemente e tinha sido flagrado pichando a sigla de outra facção nos muros. “Que o vídeo de Cauã pichando o bairro foi enviado para o celular da esposa do interrogado, mas ela não viu o vídeo e o aparelho celular dela foi apreendido. O interrogado não conhecia Cauã, mas sabe que ele inicialmente não era de facção, sendo que era ‘playboy’ do bairro, mas entrou no Comando Vermelho quando tal facção começou a dominar o bairro”, diz parte do processo.
Ainda segundo as investigações, os criminosos viram ainda uma foto de Cauã fazendo com as mãos o sinal de uma facção rival. Ao longo dos trabalhos investigatórios, a polícia prendeu vários suspeitos dos crimes, entre eles membros das duas facções criminosas que predominam na região.
Na noite do crime, Cauã estava no quarto quando a casa foi invadida por dois homens, que foram até o cômodo e atiraram. A vítima morava com a tia, um primo e outros parentes no local. No ‘X’, antigo Twitter, a ministra Marina Silva fez um post lamentando o ocorrido. “Com imenso pesar e dor, recebo a notícia de que meu sobrinho-neto Cauã Nascimento Silva, de 19 anos, foi assassinado em Rio Branco, no Acre. Cauã foi vítima da criminalidade que destrói vidas, principalmente de jovens de bairros da periferia do nosso país. Que Deus sustente e console nossa família”, disse a ministra.
O delegado responsável pelas investigações, Cristiano Bastos, explicou, na época da prisão de André, que Cauã não era membro de facção e nem tinha passagem pela polícia; contudo, antes do crime, ele foi visto andando com membros de um grupo criminoso que tinham se mudado para o bairro Taquari dias antes do ocorrido.
“Em fevereiro, uma das facções, praticamente, tomou a região. Ele não era de facção até então, mas, quando a facção tomou, passou a andar com o pessoal e fizeram imagens pichando o bairro com a facção que tinha entrado. Alguns resistentes da outra facção que ainda estavam lá mandaram matar ele porque era do bairro e entrou em outra facção”, contou o delegado.