A política de taxação de produtos importados pelos Estados Unidos da América, executada pelo presidente Donald Trump, pode prejudicar e comprometer a cooperação entre países na busca por soluções para a crise climática. A advertência foi feita pela ministra do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, a acreana Marina Silva, ao declarar que o chamado “tarifaço” imposto pelo presidente dos EUA “não é bom para ninguém”.
Para a ministra, o tarifaço de ao menos 10% sobre produtos estrangeiros, anunciado por Trump, pode desencadear uma guerra tarifária, levando países que fazem negócios com os Estados Unidos a adotarem medidas semelhantes. Ela avalia que, além de fomentar um clima de desconfiança entre as nações, o “rompimento com o multilateralismo” representa uma ameaça à cooperação internacional necessária para conter as mudanças climáticas globais.
“Esse rompimento com o multilateralismo, essas visões unilaterais, são muito negativas e prejudicam profundamente a cooperação e a ação climática conjunta. Isso esgarça as relações, afasta a cooperação e mina as relações de confiança entre os povos. E o nosso papel é o de reforçar a solidariedade, o apoio, a cooperação e a livre iniciativa no mercado”, disse a ministra, sem citar nominalmente os Estados Unidos e seu presidente. “Essa guerra tarifária não é boa para ninguém”, declarou Marina durante entrevista coletiva concedida logo após o término da 11ª reunião dos ministros do Meio Ambiente do Brics — bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, além de Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes, Etiópia, Indonésia e Irã. O evento ocorreu ontem, em Brasília.
“O país que mais está defendendo esse tipo de protecionismo foi um dos que [no passado] mais estimularam a ideia de que deveríamos ter livre iniciativa e liberdade de ação no mercado”, comentou Marina, ao traçar um paralelo com conflitos geopolíticos armados, como a invasão da Ucrânia pela Rússia e a disputa entre israelenses e palestinos no Oriente Médio.
Segundo Marina Silva, a desconfiança cria situações de insegurança, o que leva os países a deslocarem recursos que poderiam ser investidos no combate às mudanças climáticas e na proteção da biodiversidade para áreas de segurança e defesa.
“Neste momento, na minha opinião, em vez de estarmos fazendo guerra uns com os outros — seja guerra bélica ou tarifária — deveríamos estar guerreando contra a pobreza, a mudança do clima, a desertificação e a perda de biodiversidade. É isso que está ameaçando nossas vidas e nossos sistemas produtivos, sejam eles industriais ou alimentares”, concluiu a ministra.

