Mutirão de saúde mental atende 700 pessoas, enquanto fila de espera já soma 2,5 mil

Secretário de Saúde destaca aumento no número de pacientes que precisam de atendimento psicológico

No último sábado (15), mais de 700 pessoas que aguardavam por atendimento especializado em saúde mental foram atendidas durante um mutirão realizado na Fundação Hospital Estadual do Acre (Fundhacre), em Rio Branco. A ação teve como propósito aliviar a longa fila de espera para consultas psiquiátricas e psicológicas, que atualmente conta com aproximadamente 2,5 mil pacientes.

Cerca de 700 pessoas foram atendidas neste final de semana/Foto:Rede Amazônica Acre

Entre os atendidos estava Deuzimar Gurgel, atendente que convive há anos com crises de ansiedade, mas nunca havia procurado ajuda profissional. “Quando as pessoas ouvem falar sobre ansiedade, muitas vezes não acreditam, pensam que é ‘frescura’. Já ouvi muito: ‘você é doida’. Quando tenho crises no trabalho, fico muito introspectiva, não quero conversar com ninguém”, contou ao g1. Deuzimar esperou quase dois anos para conseguir uma consulta com um especialista.

Outro paciente beneficiado pelo mutirão foi Luiz Souza, de 66 anos, aposentado e diagnosticado com esquizofrenia aos 35. Antes da pandemia, ele realizava acompanhamento regular com psiquiatras no Hospital de Saúde Mental do Acre, mas perdeu o acesso ao tratamento devido às restrições causadas pela pandemia. Desde então, tem renovado sua receita em uma unidade básica de saúde, sem a possibilidade de ajustes em sua medicação.

“Desde a pandemia, não conseguimos retomar o acompanhamento dele, que era feito a cada dois meses. O medicamento só cobre esse período e ele tem renovado a receita no posto de saúde, mas o médico não pode alterar a medicação, o que precisamos urgentemente”, explicou sua sobrinha, Cleide de Souza, ao g1.

Sóron Steiner, presidente da Fundhacre, ressaltou a crescente demanda por serviços psiquiátricos, evidenciando um problema crescente na saúde mental. “Pesquisas apontam que uma em cada oito pessoas sofre com algum tipo de problema relacionado à saúde mental. Por isso, nossos mutirões têm o objetivo de atender essas filas mais longas, onde pacientes aguardam há mais tempo, permitindo que recebam o atendimento especializado e iniciem o tratamento o quanto antes”, destacou em entrevista ao g1.

Dados do Núcleo de Apoio e Atendimento Psicossocial do Ministério Público do Acre mostram que o número de doenças mentais tem aumentado no estado nos últimos 11 anos, com agravamento durante a pandemia de Covid-19.

Pedro Pascoal, secretário de Saúde do Acre, enfatizou a relevância do mutirão diante desse cenário. “Sabemos que, nos dias de hoje, há um grande número de pessoas que precisam de atendimento psicológico. A pandemia agravou as condições de saúde mental, com muitas pessoas desenvolvendo depressão e ansiedade. Esta ação é uma das iniciativas para reduzir as filas e oferecer suporte às pessoas necessitadas”, concluiu.