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El Niño aumenta risco de incêndios na Amazônia, revela estudo

(Imagem: Alaskagirl8821/Shuttestock)

Pesquisadores identificaram mais um efeito causado pelo El Niño, desta vez na Amazônia. O fenômeno climático é caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial e é capaz de alterar os padrões de circulação atmosférica, afetando o clima em todo o planeta.

Agora, no entanto, os cientistas descobriram que ele também aumenta os riscos de incêndios em regiões onde o armazenamento de água subterrânea está comprometido. Usando imagens de satélite e dados de queimadas, a equipe ainda conseguiu desenvolver uma ferramenta que poderá ser utilizada para auxiliar em ações preventivas contra as chamas no futuro.

Queimadas na Amazônia coincidiram com atuação do El Niño

Os resultados do estudo, com base em informações de 2004 a 2016, revelam uma diminuição nas condições de umidade em três níveis: do solo superficial (sfsm), da zona das raízes das árvores (rtzsm) e das águas subterrâneas (gws), sendo este último o que apresenta maior severidade de aridez. Os pesquisadores explicam que esses “reservatórios” demoram mais para se recuperar quando afetados por secas consecutivas e extremas decorrentes do El Niño.

Ainda segundo eles, nas últimas décadas, incêndios florestais provocados pelo homem alteraram significativamente a dinâmica da vegetação na região amazônica. Essas atividades humanas são consideradas “ignições” para o fogo na floresta tropical, sendo que a escalada das queimadas está ligada às condições climáticas.

Seca
El Niño agrava períodos de seca no Brasil (Imagem: Khenyothaa/Shutterstock)

Usando informações de satélite da missão GRACE, que permite detectar o armazenamento de água terrestre integrando umidade do solo, água superficial e a subterrânea, a equipe conseguiu identificar áreas com menor concentração de umidade no nordeste da bacia amazônica, além de uma diminuição da umidade em direção ao leste.

As maiores áreas queimadas coincidiram com regiões que enfrentaram seca durante eventos extremos do El Niño, com um aumento entre 2015 e 2016. À época, o fenômeno foi considerado um dos três mais intensos já registrados na história.

Estudo identificou mais um efeito do fenômeno climático na Amazônia (Imagem: Nelson Antoine/Shutterstock)

Descobertas podem ajudar a criar ações de prevenção de incêndios

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